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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 3.069.635

Roubo: violência contra a pessoa

Relator(a): Joel Ilan Paciornik

Ementa

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. ROUBO. VIOLÊNCIA CONTRA A PESSOA. DESPROVIMENTO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de recurso especial da defesa contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, o qual manteve a condenação do agravante pela prática do crime de roubo, previsto no art. 157, caput, do Código Penal.

2. O Tribunal de origem considerou as provas produzidas nos autos, incluindo a prisão em flagrante, as declarações da vítima, o depoimento do policial e a confissão do agravante, para concluir pela autoria e materialidade do delito. A decisão afastou a desclassificação para o crime de furto, considerando que o arrebatamento do telefone celular causou lesões à vítima, configurando violência contra a pessoa.

3. A defesa do agravante sustentou a necessidade de desclassificação do delito para furto, alegando que as escoriações leves na vítima caracterizam violência contra a coisa e não contra a pessoa. Argumentou ainda que o reconhecimento do réu pela vítima foi realizado em desconformidade com o art. 226 do Código de Processo Penal e que não se aplicam as Súmulas 83, 282, 356 e 284 do STF.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. A questão em discussão consiste em saber se o arrebatamento de objeto que causa lesões à vítima configura o crime de roubo, afastando a desclassificação para furto, e se há óbices processuais ao conhecimento do recurso especial.

III. RAZÕES DE DECIDIR

5. O arrebatamento de objeto junto ao corpo da vítima, causando-lhe lesões, configura o delito de roubo, conforme entendimento consolidado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.

6. A pretensão de desclassificação do delito para furto ou de absolvição por insuficiência de provas esbarra na vedação ao reexame aprofundado do acervo fático-probatório, conforme Súmula 7 do STJ.

7. A tese de irregularidade no reconhecimento do réu pela vítima não pode ser conhecida, pois a peça recursal não indicou o dispositivo legal correspondente, atraindo o óbice da Súmula 284 do STF.

8. A ausência de manifestação expressa do Tribunal de origem sobre eventual nulidade decorrente do reconhecimento do réu pela vítima implica na falta de prequestionamento, incidindo, por analogia, as Súmulas 282 e 356 do STF.

IV. DISPOSITIVO E TESE

9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.

Tese de julgamento:

Dispositivos relevantes citados:CP, art. 157, caput; CPP, art. 226; CP, art. 155, §4º, II.

Jurisprudência relevante citada:STJ, Súmula 7; STJ, Súmula 83; STF, Súmula 284; STF, Súmula 282; STF, Súmula 356.

Tese

Dispositivos relevantes citados:CP, art. 157, caput; CPP, art. 226; CP, art. 155, §4º, II.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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