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Jurisprudências

TSTRRAg 100375-39.2016.5.01.0052

Análise conjunta: matérias idênticas

Ementa

I - AGRAVOS DE INSTRUMENTO DE AMBAS AS RECLAMADAS. ANÁLISE CONJUNTA. MATÉRIAS IDÊNTICAS. LEI 13.015/2014. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. LABOR EM ATIVIDADE-FIM. LICITUDE. Agravos de instrumento providos, ante possível violação dos artigos 2º e 3º da CLT. PROTEÇÃO AO TRABALHO DA MULHER. INTERVALO PREVISTO NO ARTIGO 384 DA CLT. CONTRATO DE TRABALHO INICIADO E EXTINTO ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. A controvérsia cinge-se acerca da condenação de pagamento referente ao intervalo previsto no artigo 384 da CLT, o qual foi revogado pelo Lei 13.467/2017. Frise-se que o contrato de trabalho em tela foi iniciado e extinto antes da vigência da Lei 13.467/2017. A decisão regional encontra-se em consonância com o entendimento notório e atual desta Corte Superior, segundo o qual, na apreciação da inconstitucionalidade do art. 384 da CLT, conforme incidente de inconstitucionalidade em recurso de revista (IIN –RR 1.540/2005-046-12-00, DEJT de 13/2/2009), consolidou-se a tese de que o referido dispositivo, ao garantir o intervalo de quinze minutos de descanso apenas à mulher, não ofende o princípio da igualdade, em face das desigualdades inerentes à jornada da trabalhadora, em relação à do trabalhador. Agravos de instrumento de ambas as reclamadas não providos. AGRAVO DE INSTRUMENTO DA SEGUNDA RECLAMADA. MATÉRIAS REMANESCENTES. INTERVALO INTRAJORNADA. O Regional, com fulcro na Súmula 338, I, do TST, manteve a condenação do pagamento referente ao intervalo intrajornada, haja vista a presunção da jornada descrita na inicial, porquanto a empregadora não apresentou os controles de ponto. Dessa forma, a decisão regional está em sintonia com a jurisprudência desta Corte consubstancia na Súmula 338, I, do TST. Agravo de instrumento não provido. MULTA POR EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROCRASTINATÓRIOS . Em princípio, inscreve-se no exame discricionário do juiz a constatação de que o devedor da obrigação trabalhista interpôs embargos declaratórios com o intuito de postergar o pagamento de seu débito. Portanto, não existe violação dos dispositivos indicados quando o juízo declara a sua percepção de que houve interesse procrastinatório e aplica a sanção processual correspondente. Agravo de instrumento não provido. II - RECURSOS DE REVISTA DE AMBAS AS RECLAMADAS. ANÁLISE CONJUNTA. MATÉRIAS IDÊNTICAS. LEI 13.015/2014. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. LABOR EM ATIVIDADE-FIM. LICITUDE. TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS. LABOR EM ATIVIDADE-FIM. LICITUDE. POSSIBILIDADE APENAS DE CONDENAÇÃO SUBSIDIÁRIA. DECISÃO DO STF NO TEMA 725 DA TABELA DE REPERCUSSÃO GERAL, ADPF 324 E RE 958252. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 324 e o Recurso Extraordinário (RE) nº 958252, com repercussão geral reconhecida, decidiu pela licitude da terceirização em todas as etapas do processo produtivo. Naquele recurso, o STF firmou tese de repercussão geral, com efeito vinculante, no sentido de que "é lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante". Assim, não havendo alusão no acórdão regional acerca da efetiva existência de pessoalidade e subordinação jurídica direta com a tomadora de serviços, não há como se reconhecer o vínculo direto com a empresa tomadora de serviços. Quanto a esse último aspecto, não se leva em conta a mera subordinação estrutural ou indireta, que, aliás, é inerente à terceirização da atividade-fim - tal implicaria esvaziar de sentido os já mencionados precedentes do STF -, sendo necessário estar comprovada nos autos a subordinação hierárquica direta, presencial ou por via telemática, do trabalhador aos prepostos da tomadora. Contudo, havendo alusão no acórdão regional acerca da efetiva existência de pessoalidade e subordinação jurídica com a tomadora de serviços ou outro motivo ensejador de fraude na terceirização, há como se reconhecer o vínculo direto com a contratante. Nessas hipóteses, o próprio STF não reconhece aderência estrita da causa às teses vinculantes supramencionadas. É o que se depreende dos seguintes precedentes: ARE 1397478/DF, de relatoria do Min. Gilmar Mendes (DJE de 16/11/2022) e Rcl 50032/SP, de relatoria do Min. Ricardo Lewandowski (DJE de 03/11/2021). Outrossim, afastada a ilicitude da terceirização de serviços, é possível manter a condenação subsidiária pelos créditos deferidos na ação, se existir pedido exordial para a condenação solidária ou subsidiária. No mais, quanto ao debate no recurso ora em exame acerca de pedido de isonomia salarial com fundamento no art. 12 da Lei 6.019/1974 e na OJ 383 da SBDI-1 do TST, o Supremo Tribunal Federal na análise do Tema 383 da Tabela de repercussão geral, firmou entendimento contrário ao pleito. Eis a tese fixada: "a equiparação de remuneração entre empregados da empresa tomadora de serviços e empregados da empresa contratada (terceirizada) fere o princípio da livre iniciativa, por se tratarem de agentes econômicos distintos, que não podem estar sujeitos a decisões empresariais que não são suas" (STF, RE 635.546, Plenário, Sessão Virtual de 19/3/2021 a 26/3/2021, DJE de 7/4/2021). Recurso de revista conhecido e provido.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade: I) no tocante ao "intervalo do artigo 384 da CLT", negar provimento aos agravos de instrumento de ambas as reclamadas; II) acerca dos tópicos "intervalo intrajornada" e "multa por embargos de declaração", negar provimento ao agravo de instrumento da primeira reclamada; III) com relação ao tema "licitude da terceirização - não reconhecimento do vínculo empregatício da reclamante com o tomador de serviços - isonomia - multa convencional", dar provimento aos agravos de instrumento de ambas as reclamadas, por aparente por violação dos artigos 2º e 3º da CLT, para determinar o processamento dos recursos de revistas, no particular; IV) a respeito da "licitude da terceirização - não reconhecimento do vínculo empregatício da reclamante com o tomador de serviços - isonomia - multa convencional", conhecer dos recursos de revista de ambas as reclamadas, por violação dos artigos 2º e 3º da CLT, e, no mérito, dar-lhes provimento para declarar a licitude da terceirização e afastar a declaração de vínculo empregatício entre a reclamante e o tomador de serviços, segundo reclamado, excluir o enquadramento da categoria dos bancários, bem como a incidência das normas coletivas firmadas pelo tomador de serviços, inclusive acerca das multas convencionais nessas previstas e declarar a responsabilidade subsidiária do tomador de serviços. Inalterados os valores arbitrados provisoriamente à condenação e custas.

Indexação

Responsabilidade Solidária / Subsidiária; Intervalo Intrajornada; Enquadramento; Multa Convencional; Intervalo 15 Minutos Mulher; Licitude / Ilicitude da Terceirização; Multa por ED Protelatórios

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