TSTROT 0002228-23.2024.5.13.0000
Impugnação ao valor da causa: decisão surpresa
Relator(a): LUIZ JOSÉ DEZENA DA SILVA
- Direito do Trabalho
- Processo Civil
- Impugnação ao valor da causa
- Decisão surpresa
- Nulidade
- Não caracterização
- Honorários advocatícios na ação rescisória
- Percentual fixado aquém do mínimo legal
Ementa
RECURSO ORDINÁRIO EM AÇÃO RESCISÓRIA. IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA. DECISÃO SURPRESA. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. 1. Trata-se de Recurso Ordinário em Ação Rescisória interposto pelo autor contra acórdão regional que acolheu a impugnação ao valor da causa apresentada pela primeira ré e alterou o valor da causa da Ação Rescisória de R$ 20.000,00 para R$ 7.328,54. 2. Nas razões de Recurso Ordinário, o autor sustenta a nulidade do acórdão regional, ante a caracterização de decisão surpresa. Todavia, não se configura decisão surpresa quando a questão apreciada pelo julgador foi expressamente suscitada pela parte ré e submetida ao contraditório. 3. Na hipótese, a primeira ré impugnou o valor da causa na contestação, sustentando a inadequação do montante atribuído pelo autor à Ação Rescisória. Ocorre que, embora oportunizado o contraditório, o autor permaneceu silente, limitando-se, nas razões finais, a reiterar o pedido de produção de prova oral, sem qualquer manifestação sobre a impugnação então apresentada. 4. Nesse contexto, inexiste nulidade a ser declarada, remanescendo ilesos os artigos 9.º, 10 e 493 do CPC. 5. Recurso Ordinário conhecido e não provido. RESTABELECIMENTO DO VALOR DA CAUSA APONTADO NA PETIÇÃO INICIAL DA AÇÃO RESCISÓRIA. 1. No particular, o autor sustenta que o valor dado à causa na petição inicial (R$ 20.000,00) corresponde ao proveito econômico consubstanciado nas parcelas cuja quitação foi afastada pelo Tribunal Regional, razão pela qual, no seu entender, tal valor deve ser restabelecido. 2. Tratando-se de Ação Rescisória proposta com o objetivo de desconstituir decisão homologatória de acordo proferida na fase de conhecimento, o valor da causa coincide com o valor do acordo homologado, devidamente reajustado pela variação cumulada do INPC do IBGE até a data do ajuizamento da Ação Rescisória (artigos 2.º, II, e 4.º da Instrução Normativa n.º 31 do TST). Precedentes. 3. No caso concreto, o valor do acordo homologado, relativamente ao autor, foi de R$ 7.328,54, conforme se extrai da planilha anexa à sentença homologatória do acordo, de modo que, atualizado pelo INPC até o ajuizamento da presente Ação Rescisória (janeiro/2023 a janeiro/2025), resulta o valor de R$ 8.039,41. 4. Recurso Ordinário conhecido e parcialmente provido para fixar o valor da causa em R$ 8.039,41. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NA AÇÃO RESCISÓRIA. PERCENTUAL FIXADO AQUÉM DO MÍNIMO LEGAL. ARTIGO 85, § 2.º, DO CPC. 1. O Tribunal Regional, após julgar procedente o pedido de corte rescisório, condenou os réus ao pagamento dos honorários advocatícios, no percentual de 5% (cinco por cento) sobre o valor da causa. 2. Ocorre que, nos termos do art. 85, § 2.º, do CPC, os honorários devem ser fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. 3. No caso concreto, atendidos os requisitos disciplinados no § 2.º do artigo 85 do CPC, bem como o trabalho adicional pela interposição de Recurso Ordinário (artigo 85, § 11, do CPC), impõe-se a majoração dos honorários advocatícios para 15% (quinze por cento) sobre o valor atualizado da causa, não sendo a hipótese de fixação do valor dos honorários advocatícios por apreciação equitativa (artigo 85, § 8.º, do CPC). Precedente. 4. Recurso Ordinário conhecido e parcialmente provido para majorar os honorários advocatícios para 15% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, § 2.º, do CPC.
Decisão
Acordam os Ministros à unanimidade, conhecer do Recurso Ordinário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para fixar o valor da causa em R$ 8.039,41 e majorar os honorários advocatícios para 15% sobre o valor atualizado da causa. Brasília, 25 de junho de 2026. LUIZ JOSÉ DEZENA DA SILVA Ministro Relator