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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 2.818.645

Direito penal

Relator(a): Messod Azulay Neto

Ementa

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 7 E 83, STJ. SÚMULAS N. 282 E 356, STF. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo em recurso especial para não conhecer do recurso especial. O agravante foi condenado por infração aos arts. 241-A, caput, e 241-B, caput, da Lei n. 8.069/1990, com extinção da punibilidade em relação ao art. 241-B, caput, e manutenção da condenação pelo art. 241-A, caput, da mesma lei. O Tribunal Regional negou provimento à apelação defensiva e manteve a sentença condenatória. Embargos de declaração foram rejeitados. O recurso especial foi inadmitido na origem com base nas Súmulas n. 7 e 83, STJ. No agravo regimental a defesa busca afastar os óbices processuais que impediram o conhecimento do recurso especial.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há três questões em discussão: (i) saber se a ausência de informação ao direito ao silêncio (Aviso de Miranda) configura nulidade do processo; (ii) saber se a ausência de dolo na conduta do agravante impede a condenação pelo crime previsto no art. 241-A da Lei n. 8.069/1990; e (iii) saber se há impossibilidade de reconhecimento da continuidade delitiva em razão da ausência de elemento subjetivo quanto aos crimes subsequentes.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. A ausência de prequestionamento nas instâncias antecedentes quanto às alegações de nulidade do processo e continuidade delitiva justifica a aplicação das Súmulas n. 282 e 356, STF.

4. A ausência de impugnação específica ao fundamento da decisão agravada enseja a aplicação da Súmula n. 182, STJ.

5. A legislação processual penal não exige que os policiais informem o abordado sobre o direito ao silêncio no momento da abordagem, sendo tal prática obrigatória apenas nos interrogatórios policial e judicial, conforme entendimento consolidado na Súmula n. 83, STJ.

6. A modificação do julgado para afastar a continuidade delitiva ou reconhecer a ausência de dolo exigiria o revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos da Súmula n. 7, STJ.

7. O Ministério Público Federal reforçou os fundamentos da decisão agravada, destacando a preclusão temporal quanto à tese da nulidade do processo, a caracterização do dolo no caso concreto e a impossibilidade de afastar a continuidade delitiva sem reanálise do conjunto fático-probatório.

IV. DISPOSITIVO E TESE

8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.

Tese de julgamento:

1. A ausência de prequestionamento nas instâncias antecedentes impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas n. 282 e 356, STF. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada enseja a aplicação da Súmula n. 182, STJ. 3. A legislação processual penal não exige que os policiais informem o abordado sobre o direito ao silêncio no momento da abordagem, sendo tal prática obrigatória apenas nos interrogatórios policial e judicial. 4. A modificação de julgado que implique reexame de matéria fático-probatória é vedada em sede de recurso especial, nos termos da Súmula n. 7, STJ.Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, III, "a"; CPP, arts. 157, §1º, 186, 386, III e IV, 564, IV; CP, arts. 18, I, 71; ECA, arts. 241-A, caput, e 241-B, caput.

Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg nos EDcl no REsp 2.110.922/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 07.05.2024; STJ, AREsp 2.390.261/PA, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 17.12.2024; STJ, AgRg no REsp 1.492.472/PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 04.10.2018; STJ, AREsp 2123334/MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Terceira Seção, julgado em 20.06.2024.

Tese

1. A ausência de prequestionamento nas instâncias antecedentes impede o conhecimento do recurso especial, nos termos das Súmulas n. 282 e 356, STF. 2. A ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão agravada enseja a aplicação da Súmula n. 182, STJ. 3. A legislação processual penal não exige que os policiais informem o abordado sobre o direito ao silêncio no momento da abordagem, sendo tal prática obrigatória apenas nos interrogatórios policial e judicial. 4. A modificação de julgado que implique reexame de matéria fático-probatória é vedada em sede de recurso especial, nos termos da Súmula n. 7, STJ.Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, III, "a"; CPP, arts. 157, §1º, 186, 386, III e IV, 564, IV; CP, arts. 18, I, 71; ECA, arts. 241-A, caput, e 241-B, caput.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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