TSTE-RR 598476-69.1999.5.01.0043
Dispensa de empregado concursado de sociedade de economia mista
- Direito do Trabalho
- Dispensa de empregado concursado de sociedade de economia mista
- Necessidade de motivação
- <b>No caso dos autos, a dispensa imotivada ocorreu em 1996</b>
- Despedida / Dispensa Imotivada
Ementa
<p align="justify"><br/></p><p align="justify"><br/></p><p align="justify"><b>RETORNO DOS AUTOS PARA FINS DO ARTIGO 1.030, II, DO CPC. DISPENSA DE EMPREGADO CONCURSADO DE SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. NECESSIDADE DE MOTIVAÇÃO. TEMA 1022 DA TABELA DE REPERCUSSÃO GERAL DO STF. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL 247 DA SBDI-I DO TST. JUÍZO DE RETRATAÇÃO NÃO REALIZADO. </b>Trata-se de debate sobre a necessidade de motivação do ato de dispensa de empregado concursado de sociedade de economia mista. Embora a matéria estivesse pacificada em outra direção no âmbito do TST, é certo que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 688.267/CE, em 28/02/2024, correspondente ao Tema 1022 da Tabela de Repercussão Geral, fixou seguinte a tese vinculante: "<i>as empresas públicas e as sociedades de economia mistas, sejam elas prestadoras de serviço público ou exploradoras de atividade econômica, ainda que em regime concorrencial, têm o dever jurídico de motivar, em ato formal, a demissão de seus empregados concursados, não se exigindo processo administrativo. Tal motivação deve consistir em fundamento razoável, não se exigindo, porém, que se enquadre nas hipóteses de justa causa da legislação trabalhista</i>". Houve modulação dos efeitos dessa decisão, estabelecendo-se a data em que publicada a ata do julgamento (4/03/2024) como marco para a incidência da tese jurídica fixada. Assim, ante a decisão vinculante da Suprema Corte, a partir de 4/3/2024 é imprescindível a motivação do ato de dispensa para os empregados públicos concursados dessas entidades da administração pública indireta, sob pena de nulidade. Há dois elementos de distinção que impedem, excepcionalmente, a adoção dessa tese: <b>1)</b> os empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), cujo ato dispensa sempre necessita de motivação, mesmo se em data anterior à mencionada modulação de efeitos. Entendimento fundamentado no item II da OJ 247 da SBDI-I do TST e na jurisprudência do STF, a exemplo do próprio RE 688267, Primeira Turma, (Rel. Min Alexandre de Moraes, publicação em 29/4/2024) e RE 589.998 Tribunal Pleno (Rel. Min. Ricardo Lewandowski, publicação em 12/9/2013) e <b>2)</b> se a empregadora, embora não detenha essa obrigação, decide motivar o ato, aplica-se a teoria dos motivos determinantes, cabendo ao Judiciário analisar a coerência entre a realidade fática e o motivo adotado. <b>No caso dos autos, a dispensa imotivada ocorreu em 1996</b>. A matéria jurídica decidida no âmbito da Turma foi abordada unicamente sob o prisma da necessidade, ou não, de empresas públicas e sociedades de economia mista motivarem a dispensa de seus empregados, admitidos após aprovação em certame público. Em se tratando de rescisão anterior ao marco da citada modulação de efeitos (4/03/2024), a decisão desta Subseção proferida anteriormente encontra-se em consonância com a modulação de efeitos da tese vinculante do Tema 1022 da Tabela de Repercussão Geral do STF, aplicando-se ao caso a diretriz da Orientação Jurisprudencial 247, I, da SBDI-I. <b>Juízo de retratação não exercido</b>.<br/></p><p align="justify"><br/></p><p align="justify"><br/></p>
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, não realizar o juízo de retratação (CPC, art. 1.030, II), e, por via de consequência, confirmar o não conhecimento dos embargos interposto pelo reclamante, determinando-se o retorno dos autos à Vice-Presidência deste Tribunal para as providências que entender cabíveis.
Indexação
Despedida / Dispensa Imotivada