STJAgRg no HC 1.015.205
Progressão de regime: exame criminológico
Relator(a): Rogerio Schietti Cruz
- Direito Constitucional
- Processo Penal
- Progressão de regime
- Exame criminológico
- Concessão liminar da ordem
- Nulidade por ausência de oitiva do ministério público
- Controle de constitucionalidade em habeas corpus
- Via inadequada
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROGRESSÃO DE REGIME. EXAME CRIMINOLÓGICO. CONCESSÃO LIMINAR DA ORDEM. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE OITIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. INEXISTÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA CONSOLIDADA. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE EM HABEAS CORPUS. VIA INADEQUADA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1.O avanço para julgamento in limine de questões pacificadas pelo colegiado, com fundamento no art. 34, XVIII, "c", e XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e no enunciado sumular n. 568 desta Corte, está em consonância com o princípio da efetiva entrega da prestação jurisdicional e visa a otimizar o processo e seus atos, para viabilizar sua razoável duração e a concentração de esforços em lides não iterativas.
2. A resolução liminar do habeas corpus, antes do parecer do Ministério Público, é admitida pelos Tribunais Superiores, quando se reconhece flagrante ilegalidade sobre a qual existe pacífica jurisprudência, sendo certo que a remessa dos autos para manifestação do órgão ministerial ocorre, ainda que posteriormente, com possibilidade de interposição do recurso cabível ao colegiado.
3. Ademais, não cabe ao Superior Tribunal de Justiça, em habeas corpus, realizar o controle de constitucionalidade, sob pena de usurpação de competências do Tribunal de Justiça local ou do Supremo Tribunal Federal, bem como de malferimento das regras de legitimidade para propor a ação de inconstitucionalidade, taxativamente previstas em leis. Precedentes.
4. No caso concreto, o paciente já se encontrava em regime aberto, por decisão fundamentada do Juízo da Execução Penal, que analisou os requisitos objetivos e subjetivos à luz da legislação então vigente e corretamente afastou a imposição automática do exame criminológico, por reconhecer sua aplicação como inconstitucional nos casos pretéritos. Não houve qualquer fato novo ou intercorrência negativa que justificasse a revogação da benesse. 5.A exigência de realização de exame criminológico para toda e qualquer progressão de regime, nos termos da Lei n. 14.843/2024, constitui novatio legis in pejus, pois incrementa requisito, tornando mais difícil alcançar regimes prisionais menos gravosos à liberdade. A retroatividade dessa norma se mostra inconstitucional, diante do art. 5º, XL, da Constituição Federal, e ilegal, nos termos do art. 2º do Código Penal. Precedentes.
6. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/11/2025 a 25/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Carlos Pires Brandão, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.