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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 3.053.173

Falsidade ideológica: tipicidade

Relator(a): Ribeiro Dantas

Ementa

DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FALSIDADE IDEOLÓGICA. TIPICIDADE. REVISÃO DO ACÓRDÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO IMPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do agravo em recurso especial para não conhecer do recurso especial. A defesa busca o reconhecimento da atipicidade da conduta, alegando ausência de dolo específico na prática do crime de falsidade ideológica, previsto no art. 299 do Código Penal, e sustenta que a análise é eminentemente jurídica, prescindindo do revolvimento fático-probatório.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. A questão em discussão consiste em saber se a conduta do agravante, consistente na inserção de declaração falsa em formulário de identificação de condutor perante o Detran, configura o crime de falsidade ideológica, considerando a alegação de ausência de dolo específico e a impossibilidade de revolvimento do conjunto fático-probatório em sede de recurso especial.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. O Tribunal de origem reconheceu o dolo específico do agravante, que, sabendo não ser o condutor, inseriu declaração falsa em formulário de identificação de condutor perante o Detran, alterando a verdade sobre fato juridicamente relevante, em conformidade com o art. 299 do Código Penal.

4. A suficiência probatória foi afirmada com base na confissão do agravante e no laudo grafotécnico que confirmou a assinatura no formulário de indicação de condutor.

5. A obtenção de vantagem econômica não constitui elemento essencial para a configuração do delito de falsidade ideológica.

6. O desconhecimento da ilicitude da conduta não é justificável, especialmente considerando que o agravante exerce a profissão de despachante, o que afasta a alegação de ignorância sobre a irregularidade da prática.

7. A lesão à fé pública foi demonstrada, evidenciada por sucessivas transferências de multas à CNH do agravante, indicando o intuito de ludibriar a autarquia responsável pela fiscalização de trânsito.

8. A pretensão de desconstituir o entendimento firmado pelo Tribunal de origem e concluir pela absolvição do crime de falsidade ideológica demandaria o revolvimento do conjunto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7/STJ.

IV. DISPOSITIVO E TESE

9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.

Tese de julgamento:

1. A inserção de declaração falsa em formulário de identificação de condutor perante o Detran, com o objetivo de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, configura o crime de falsidade ideológica previsto no art. 299 do Código Penal. 2. A obtenção de vantagem econômica não é elemento essencial para a configuração do crime de falsidade ideológica. 3. O desconhecimento da ilicitude da conduta não é justificável, especialmente quando o agente exerce profissão que demanda conhecimento sobre os procedimentos adotados.

4. A lesão à fé pública pode ser demonstrada por práticas reiteradas de inserção de informações falsas em documentos públicos. 5. O revolvimento do conjunto fático-probatório é vedado em sede de recurso especial, conforme Súmula 7/STJ.Dispositivos relevantes citados: CP, art. 21; CP, art. 299; RISTJ, art. 253, parágrafo único, II, "a".

Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no REsp 1.960.352/PE, Min. Olindo Menezes, Sexta Turma, julgado em 02.03.2022; STJ, AgRg no REsp 1.961.967/PE, Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 12.11.2021; STJ, AgRg no AREsp 1.622.044/DF, Min. Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 05.05.2020.

Tese

1. A inserção de declaração falsa em formulário de identificação de condutor perante o Detran, com o objetivo de alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, configura o crime de falsidade ideológica previsto no art. 299 do Código Penal. 2. A obtenção de vantagem econômica não é elemento essencial para a configuração do crime de falsidade ideológica. 3. O desconhecimento da ilicitude da conduta não é justificável, especialmente quando o agente exerce profissão que demanda conhecimento sobre os procedimentos adotados.

4. A lesão à fé pública pode ser demonstrada por práticas reiteradas de inserção de informações falsas em documentos públicos. 5. O revolvimento do conjunto fático-probatório é vedado em sede de recurso especial, conforme Súmula 7/STJ.Dispositivos relevantes citados: CP, art. 21; CP, art. 299; RISTJ, art. 253, parágrafo único, II, "a".

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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