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Jurisprudências

TSTAIRR 0020153-26.2023.5.04.0741

Execução: compensação das horas deferidas com a gratificação de função

Relator(a): MORGANA DE ALMEIDA

  • Direito Bancário
  • Processo Civil
  • Direito do Trabalho
  • Execução
  • Compensação das horas deferidas com a gratificação de função
  • Expressa vedação no título executivo
  • Intangibilidade da coisa julgada
  • Inaplicabilidade da norma coletiva
  • Reflexo das horas extras na plr

Ementa

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. 1. EXECUÇÃO. BANCÁRIO. COMPENSAÇÃO DAS HORAS DEFERIDAS COM A GRATIFICAÇÃO DE FUNÇÃO. EXPRESSA VEDAÇÃO NO TÍTULO EXECUTIVO. INTANGIBILIDADE DA COISA JULGADA. INAPLICABILIDADE DA NORMA COLETIVA. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. 1. Trata-se de execução de sentença coletiva em que afastado o enquadramento dos bancários na jornada de oito horas do art. 224, § 2º, da CLT e condenado o Banco ao pagamento do labor superior a seis horas como jornada extraordinária. 2. A tese recursal envolve alegada afronta ao art. 7º, XXVI, da CF, ante a existência de norma coletiva em que prevista a compensação entra as horas extras e a gratificação de função. 3. Ocorre que, conforme registrado no acórdão recorrido, o título executivo continha expressa determinação de que “Não há falar em compensação, porquanto as parcelas deferidas incontroversamente não foram pagas pelo réu, não havendo o que compensar”. 4. Logo, em observância aos limites da coisa julgada (art. 5º, XXXVI, da CF), descabe cogitar de afronta ao reconhecimento constitucional dos acordos e convenções coletivas de trabalho. 5. Não vislumbrada ofensa ao art. 7º, XXVI, da CF, inexiste fundamento para processar o recurso de revista trancado na origem. Agravo de instrumento conhecido e provido. 2. EXECUÇÃO. REFLEXO DAS HORAS EXTRAS NA PLR. CONDENAÇÃO FIXADA NO TÍTULO EXECUTIVO. LIMITAÇÃO AO TETO ESTIPULADO EM NORMA COLETIVA. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. 1. Hipótese em que o executado defende a necessidade de limitação dos cálculos de liquidação ao teto estabelecido em norma coletiva para o pagamento da PLR, sob pena de ofensa ao art. 7º, XXVI, da CF. 2. Observa-se, contudo, que a pretensão não foi examinada sob o enfoque do teor das normas coletivas, uma vez que o acórdão recorrido consignou que “o executado não indica de forma precisa quais aspectos da norma coletiva não teriam sido corretamente observados no cálculo homologado, à exceção da consideração de 1/12 das horas extras, ônus que lhe incumbia”. 3. A circunstância atrai a aplicação dos óbices das Súmulas 297, I, e 126 do TST, em razão da ausência de pronunciamento acerca do teor da norma coletiva e da necessidade de reexaminar fatos e provas como pressuposto para acolher a tese recursal. Agravo de instrumento conhecido e desprovido.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade, conhecer do agravo de instrumento e, no mérito, negar-lhe provimento. Brasília, 25 de março de 2025. MORGANA DE ALMEIDA RICHA Ministra Relatora

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