TSTEDCiv-Ag-AIRR 0000694-48.2020.5.17.0008
Multa por agravo manifestamente inadmissível: beneficiário da justiça gratuita
Relator(a): AMAURY RODRIGUES PINTO JUNIOR
- Direito do Trabalho
- Multa por agravo manifestamente inadmissível
- Beneficiário da justiça gratuita
- Cabimento
- Litigância de má-fé
- Responsabilidade profissional do advogado
- Os processos referidos são inexistentes e/ou as ementas inventadas
Ementa
DIREITO DO TRABALHO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA POR AGRAVO MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA. CABIMENTO. A multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC é aplicável, também, ao beneficiário da Justiça Gratuita, o qual a pagará ao final (art. 1.021, § 5º, do CPC). Embargos de declaração a que se nega provimento. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS INEXISTENTES. LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. RESPONSABILIDADE PROFISSIONAL DO ADVOGADO. 1. Em razão da estranheza causada pelo conteúdo dos precedentes jurisprudenciais colacionados pelo embargante (inclusive um da lavra deste relator), fez-se conferência mais detalhada e chegou-se à conclusão de que nenhum deles é verdadeiro. Os processos referidos são inexistentes e/ou as ementas inventadas. 2. Retornando às razões do agravo interno, verifica-se que, da mesma forma, nenhum dos precedentes jurisprudenciais mencionados existem. 3. O fato é grave e deve ser firmemente coibido, pois o processo é instrumento público de distribuição da justiça, cabendo às partes cooperarem para que ele seja ético e transparente. 4. Assim, com fundamento no art. 80, V, do CPC, condena-se o autor em multa correspondente a 2% do valor atualizado da causa e, considerando que o advogado tem o dever ético e profissional de conferir toda jurisprudência e doutrina que apresenta em suas peças, determina-se a expedição de ofícios à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo e ao Conselho Federal da OAB, com cópia da presente decisão, das razões de agravo interno e dos embargos de declaração subscritos pelos advogados do autor.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, conhecer dos embargos de declaração e, no mérito, negar-lhe provimento, condenando o embargante em multa por litigância de má-fé correspondente a 2% do valor atualizado da causa. Expeça-se ofícios à Ordem dos Advogados do Brasil ¿ Seccional Espírito Santo e ao Conselho Federal da OAB, com cópia da presente decisão, das razões de agravo interno e dos embargos de declaração subscritos pelos advogados do autor. Brasília, 11 de março de 2026. AMAURY RODRIGUES PINTO JUNIOR Ministro Relator
Indexação
Adimplemento e Extinção