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Jurisprudências

TSTAg-EDCiv-RRAg 369-33.2021.5.09.0567

I –agravo do reclamante: rito sumaríssimo

Ementa

I –AGRAVO DO RECLAMANTE. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. RITO SUMARÍSSIMO. JUSTIÇA GRATUITA DEFERIDA AO RECLAMANTE NA DECISÃO MONOCRÁTICA AGRAVADA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS DE SUCUMBÊNCIA. AÇÃO AJUIZADA NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 4º DO ART. 791-A DA CLT DECLARADA PELO STF. ADI 5766. OMISSÃO. A decisão agravada deu provimento ao recurso de revista do reclamante para conceder-lhe a gratuidade de justiça. Houve, contudo, omissão quanto ao pleito recursal de suspensão da exigibilidade dos honorários advocatícios de sucumbência, nos termos da decisão proferida pelo STF no julgamento da ADI 5766. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5766, julgada pelo Tribunal Pleno, em 20/10/2021, declarou a inconstitucionalidade do § 4º do art. 791-A da CLT, na parte em que para tanto provocado. O dispositivo autorizava a dedução do valor dos honorários advocatícios de sucumbência dos créditos de reclamante beneficiário da justiça gratuita, quando tivesse obtido em juízo créditos capazes de suportar tal despesa processual. Malgrado se anunciasse um primeiro julgamento em que os votos e monocráticas do próprio STF sinalizaram para a inconstitucionalidade do § 4º do art. 791-A em sua integralidade, cabe registrar que tal decisão foi objeto de embargos declaratórios opostos pela AGU, os quais foram rejeitados pelo Plenário do STF, em julgamento virtual finalizado no dia 20/6/2022 (publicação no DJE em 29/6/2022). Com essa última decisão, ficou claro ter a Suprema Corte decidido pela inconstitucionalidade de parte dos artigos 790-B, caput e § 4º, e 791-A, § 4º, da CLT, com efeito ex tunc , ratificando-se a impossibilidade de que seja utilizado crédito auferido pelo trabalhador decorrente de procedência da própria demanda ou de outra ação trabalhista para a cobrança de honorários de sucumbência. No julgamento, confirmou-se que o fato de o trabalhador haver auferido crédito dessa natureza não tem o efeito de modificar a hipossuficiência econômica reconhecida com o deferimento do benefício de gratuidade de justiça, cabendo, portanto, à parte adversa a comprovação de eventual mudança na condição econômica do beneficiário. Desse modo, incabível a exigibilidade imediata de honorários advocatícios sucumbenciais pelo beneficiário de justiça gratuita, ou seja, descabe a possibilidade de ser ele cobrado caso obtenha em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa. O crédito só poderá ser executado caso o credor, durante o prazo da suspensão de dois anos após o trânsito em julgado da condenação, provar a alteração das condições que justificaram o deferimento da justiça gratuita. Após esse prazo, extingue-se a obrigação e, consequentemente, qualquer possibilidade de cobrança desses honorários. Agravo provido. II –AGRAVO DO RECLAMADO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. RITO SUMARÍSSIMO. DIFERENÇAS SALARIAIS. DEFENSIVO AGRÍCOLA. ANUÊNIOS. Em relação ao tema "defensivo agrícola", observa-se que, ao contrário do alegado pela agravante, o Regional analisou as convenções coletivas juntadas aos autos, destacando que "conforme expressamente previsto na norma coletiva, para se desobrigar do aludido pagamento, o empregador deve comprovar que possui laudo técnico garantindo a inexistência de risco à saúde do trabalhador, o que não foi demonstrado pela reclamada ". Assim, no caso, o exame detido dos autos, mediante o confronto entre as razões do recurso de revista e o acórdão proferido pelo Tribunal Regional, evidencia que não é possível inferir as violações indicadas, pois a pretensão recursal está frontalmente contrária às afirmações do Tribunal Regional acerca do tema em exame. Assim, para se chegar à conclusão diversa da adotada pelo Tribunal Regional, seria imprescindível o reexame fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula 126 do TST.No que tange ao tema "anuênios", observa-se que o Regional manteve a condenação de origem sob o seguinte fundamento: " ausente qualquer subsídio probatório quanto à natureza dos anuênios, mas provado o pagamento de forma habitual, correta a r. sentença que acolheu o pedido e deferiu o pagamento de diferenças". Nesse contexto, constata-se que as alegações da agravante, no sentido de que o pagamento era feito por mera liberalidade da empresa e sem a integração do salário, bem como de que havia norma coletiva que não estipulava a natureza salarial da referida parcela, esbarram nos óbices das Súmulas 126 e 297 do TST. Ainda que por fundamento diverso, não ficou demonstrado o desacerto da decisão monocrática que negou provimento ao agravo de instrumento. Agravo não provido.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade: I) dar provimento ao agravo do reclamante, para afastar da condenação a possibilidade de exigibilidade imediata de honorários advocatícios sucumbenciais devidos pelo autor, beneficiário de justiça gratuita, conforme fundamentação, tudo nos termos da decisão vinculante do STF na ADI 5766 e do § 4º do art. 791-A da CLT; II) negar provimento ao agravo do reclamado.

Indexação

Adicional; Assistência Judiciária Gratuita; Honorários Advocatícios; Gratificação Anual

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