STJAgRg no HC 1.033.214
Furto qualificado: desclassificação para apropriação indébita
Relator(a): Carlos Pires Brandão
- Direito Penal
- Furto qualificado
- Desclassificação para apropriação indébita
- Regime inicial fechado
- Reincidência e pena superior a quatro anos
- Legalidade
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. FURTO QUALIFICADO. DESCLASSIFICAÇÃO PARA APROPRIAÇÃO INDÉBITA. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. REGIME INICIAL FECHADO. REINCIDÊNCIA E PENA SUPERIOR A QUATRO ANOS. LEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de pedido de habeas corpus. O agravante foi condenado pelo crime de furto qualificado, com pena redimensionada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo para 5 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial fechado. A defesa busca a desclassificação do delito para apropriação indébita e o abrandamento do regime prisional.
2. O agravante sustenta a possibilidade de conhecimento do writ, a necessidade de desclassificação da conduta para apropriação indébita e a ilegalidade do regime inicial fechado.
II. Questão em discussão
3. Há duas questões em discussão: (i) saber se o habeas corpus pode ser utilizado como sucedâneo de revisão criminal para desclassificar a conduta de furto qualificado para apropriação indébita, considerando que a desclassificação demandaria reexame fático-probatório; e (ii) saber se a fixação do regime inicial fechado, com base na reincidência e em circunstância judicial negativa, configura bis in idem.
III. Razões de decidir
4. O Superior Tribunal de Justiça não admite o manejo de habeas corpus como substituto de recurso próprio ou ação autônoma de impugnação, salvo em casos de flagrante ilegalidade perceptível de plano, o que não se verifica no caso.
5. A desclassificação da conduta de furto qualificado para apropriação indébita exige o revolvimento aprofundado do acervo fático-probatório, o que é vedado na via estreita do habeas corpus.
6. O regime inicial fechado foi fundamentado em elementos concretos, como a pena superior a 4 anos de reclusão, a reincidência do agravante e a existência de circunstância judicial negativa, estando em conformidade com o Código Penal.
7. A utilização da reincidência para agravar a pena na dosimetria e para determinar o regime inicial mais gravoso não configura bis in idem, conforme entendimento consolidado deste Tribunal Superior.
IV. Dispositivo
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 33, § 2º; Código Penal, art. 61.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 1.688.604/AL, Rel. Min. Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 22.02.2022; STJ, AgRg no AREsp 3.026.687/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12.11.2025.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 26/02/2026 a 04/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.