TSTAg-AIRR 0000057-06.2010.5.01.0037
Jornada de trabalho: horas extras
Relator(a): MARIA HELENA MALLMANN
- Direito Civil
- Direito do Trabalho
- Jornada de trabalho
- Horas extras
- Período não contemplado pelos cartões de ponto
- Outros elementos de prova
- Julgados
- Operador de "telemarketing"
Ementa
AGRAVO INTERNO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS. PERÍODO NÃO CONTEMPLADO PELOS CARTÕES DE PONTO. OUTROS ELEMENTOS DE PROVA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. Do conteúdo fático-probatório, registrado no acórdão do regional, verifica-se que a reclamada apresentou cartões de ponto com horários de entrada e saída variáveis, assinados pelo autor, presumindo-se fidedignidade dos documentos juntados (Súmula 126 do TST). Nesse contexto, com efeito, caberia ao reclamante, a teor dos artigos 818, inciso I, da CLT e 373, inciso I, do CPC, a prova do fato constitutivo do seu direito, conforme entendeu o TRT. Quanto ao interregno em que não foram apresentados os cartões de ponto pela reclamada e consequente aplicação pelo TRT da OJ nº 233 da SBDI-1 do TST, destaque-se que, apesar, da jurisprudência desta Corte ser firme no sentido da presunção de veracidade da jornada da inicial nesses casos (item I da Súmula 338/TST), isso não ocorre quando há outras provas hábeis a infirmar a jornada alegada pelo reclamante, o que aconteceu na presente hipótese: "No caso, o Juízo de origem valorou do depoimento da testemunha da ré, entendendo como comprovada a jornada de trabalho disposta nos controles de ponto. Ademais, os contracheques presentes nos autos demonstram pagamento de horas extras remuneradas a 50% e 100% durante todo o contrato de trabalho, sendo certo que o autor sequer trouxe aos autos demonstrativo sobre as supostas diferenças que entende devidas”. Dessa forma, para se chegar à conclusão diversa e deferir as horas extras pretendidas pelo reclamante, seria necessário o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, o que é vedado pela Súmula 126 desta Corte Superior. Julgados. Agravo interno a que se nega provimento. OPERADOR DE "TELEMARKETING". “MERO USUÁRIO DE COMPUTADOR”. INDENIZAÇÃO DE 10 MINUTOS A CADA 50 OU 90 MINUTOS TRABALHADOS. Registrado no acórdão regional que o reclamante era “mero usuário de computador”, para se decidir de forma diversa do TRT e deferir indenização referente a 10 minutos a cada 50 ou 90 minutos trabalhados, seria necessário o reexame fático-probatório dos autos, o que é vedado nesta instância processual a teor da Súmula 126 do TST. Precedentes. Agravo não provido.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, negar provimento ao agravo. Brasília, 17 de dezembro de 2025. MARIA HELENA MALLMANN Ministra Relatora