TSTRR 11319-30.2015.5.03.0163
I –agravo em agravo de instrumento em recurso de revista da ré
- Direito do Trabalho
- I –agravo em agravo de instrumento em recurso de revista da ré
- Novo retorno dos autos para análise de eventual juízo de retratação
- Turnos ininterruptos de revezamento
- Ampliação por norma coletiva
- Jornada de 8h48
- Prestação de horas extraordinárias habituais
Ementa
I –AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA RÉ. NOVO RETORNO DOS AUTOS PARA ANÁLISE DE EVENTUAL JUÍZO DE RETRATAÇÃO. TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO. AMPLIAÇÃO POR NORMA COLETIVA. JORNADA DE 8H48. PRESTAÇÃO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS HABITUAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO EXERCIDO. 1. Os autos foram novamente encaminhados a esta c. Turma, para eventual exercício do juízo de retratação, em face do julgamento do RE 1.476.596/MG, de Relatoria do Ministro Luís Roberto Barroso, cuja matéria se encontra inserida no Tema 1046 da Repercussão Geral. 2. No caso, fora mantida a decisão regional que invalidou a norma coletiva que ampliou a jornada em turnos ininterruptos de revezamento, ao fundamento de que a prestação de horas extras habituais descaracterizou o acordo. 3. Impõe-se, assim, exercer o juízo de retratação para, a fim de prevenir possível afronta ao artigo 7º, XXVI, da CF, determinar o processamento do agravo de instrumento. Agravo conhecido e provido, em juízo de retratação. II - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA RÉ. TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO. AMPLIAÇÃO POR NORMA COLETIVA. JORNADA DE 8H48. PRESTAÇÃO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS HABITUAIS. A fim de prevenir provável ofensa ao artigo 7º, XXVI, da CF, dá-se provimento ao agravo de instrumento a fim de processar o recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido. III - RECURSO DE REVISTA DA RÉ. TURNOS ININTERRUPTOS DE REVEZAMENTO. AMPLIAÇÃO POR NORMA COLETIVA. JORNADA DE 8H48. PRESTAÇÃO DE HORAS EXTRAORDINÁRIAS HABITUAIS. 1. Controverte-se nos autos a validade da norma coletiva que ampliou a jornada de trabalho, em turnos ininterruptos de revezamento, para 8h48 (de segunda a sexta-feira, das 6h às 15h48 ou das 15h48 à 1h09), com o intuito de compensar a ausência de trabalho aos sábados. 2. O eg. Tribunal Regional reconheceu a nulidade do acordo coletivo, seja porque fora ultrapassado o limite diário de oito horas, seja porque houve prestação horas extras habituais aos sábados. 3. Esta Corte Superior tinha o entendimento de que o elastecimento da jornada de trabalhador em turno ininterrupto de revezamento, por norma coletiva, não pode ultrapassar o limite de oito horas diárias (Súmula nº 423/TST). 4. No entanto, quando julgamento do ARE 1121633/GO (Tema 1046 da Tabela de Repercussão Geral), a Suprema Corte fixou a tese jurídica de que: " são constitucionais os acordos e as convenções coletivos que, ao consideraram a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, independentemente da explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis ". 5. Na ocasião do julgamento do RE 1.476.596/MG, de Relatoria do Exmo. Ministro Luís Roberto Barroso, o Plenário do STF confirmou a possibilidade de ampliação, por convenção ou acordo coletivo, do trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento. Também definiu que o descumprimento de cláusula coletiva não conduz a sua invalidação. 6. Esta c. Turma considera benéfica a norma coletiva que amplia a jornada em turnos ininterruptos de revezamento, para 8h48 (de segunda a sexta-feira), com o fim de compensar a ausência de trabalho aos sábados. E, diante da decisão proferida nos autos do RE 1.476.596/MG, entende devido o pagamento das horas excedentes aos limites do acordo. Precedentes. 7. Assim, deve ser reformada a decisão regional, em atenção ao entendimento da Suprema Corte, de caráter vinculante. Recurso de revista conhecido por violação do artigo 7º, XXVI, da CF e provido.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade: i) em juízo de retratação, conhecer e prover o agravo interno para determinar o processamento do agravo de instrumento e, por conseguinte, do recurso de revista; ii) conhecer do recurso de revista, por violação do artigo 7º, XXVI, da CF e, no mérito, dar-lhe provimento para reconhecer a validade da cláusula coletiva alusiva à jornada em turnos ininterruptos de revezamento, nos termos da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do ARE 1121633 (Tema 1046 da tabela de repercussão geral). Defere-se o pagamento das horas extraordinárias quanto ao que exceder os limites estabelecidos na norma coletiva, deduzidos eventuais valores pagos sob o mesmo título, conforme se apurar em liquidação de sentença.
Indexação
Horas Extras; Norma Coletiva - Aplicabilidade / Cumprimento; Turno Ininterrupto de Revezamento; Compensação de Jornada