TSTAg-AIRR 0001318-52.2024.5.06.0012
Horas extras: jornada de trabalho
Relator(a): AMAURY RODRIGUES PINTO JUNIOR
- Direito do Trabalho
- Horas extras
- Jornada de trabalho
- Validade dos cartões de ponto
- Que às vezes a gerente autorizava o registro da jornada suplementar
- Que em outras vezes registrava a saída e voltavam a trabalhar
- Que nunca teve folga compensatória no banco de horas
Ementa
DIREITO DO TRABALHO. AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. HORAS EXTRAS. JORNADA DE TRABALHO. VALIDADE DOS CARTÕES DE PONTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA N. 126 DO TST. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. 1. O Tribunal Regional, analisando o conjunto fático-probatório, firmou convicção no sentido de manter a sentença que reconheceu a invalidade dos controles de jornada e deferiu as horas extras postuladas pela parte autora. 2. Consignou a Corte que: “a ré juntou os cartões de ponto relativos a todo o período contratual (...) ocorre que, a parte se desincumbiu do encargo que lhe competia, por meio da prova oral, sendo que a testemunha (...) confirmou que os documentos não refletiam a realidade vivenciada, declarando, em seu depoimento: que acontecia de extrapolar o horário de saída, em épocas festivas; que às vezes a gerente autorizava o registro da jornada suplementar; que em outras vezes registrava a saída e voltavam a trabalhar; que o reclamante trabalhava no mesmo horário e tudo que foi afirmado até aqui se aplica igualmente a ele [...] que nunca recebeu espelho de frequência para conferência, apesar de havê-lo solicitado; que nunca teve folga compensatória no banco de horas; que nunca teve redução de jornada compensatória; que trabalhavam em feriados sem pagamento ou compensação [...] que registrava intervalo de 1 hora, embora só usufruísse 30 minutos". 4. Verifica-se que a controvérsia em relação à jornada de trabalho e à validade dos cartões de ponto fora resolvida com suporte na valoração de fatos e de provas. 5. Dessa forma, nota-se que, para alcançar entendimento diverso, como pretende a recorrente, de que a parte autora não faz jus ao pagamento de horas extras, seria necessário o reexame do arcabouço fático-probatório produzido nos autos, o que não se admite nesta fase recursal de natureza extraordinária, nos termos da Súmula n. 126 do TST. Agravo a que se nega provimento.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, conhecer do agravo e, no mérito, negar-lhe provimento. Brasília, 31 de agosto de 2026. AMAURY RODRIGUES Ministro Relator