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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 3.106.741

Concedido habeas corpus de ofício para desclassificar a conduta para o art. 302, caput, do ctb

Relator(a): Antonio Saldanha Palheiro

  • Processo Penal
  • Ausência de análise das teses defensivas
  • Alegação de violação à súmula n. 7/STJ
  • Ausência de incursão em elementos de fatos e provas
  • Revaloração jurídica do quadro fático delineado no acórdão de origem
  • Possibilidade

Ementa

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DA DEFESA NÃO CONHECIDO. CONCEDIDO HABEAS CORPUS DE OFÍCIO PARA DESCLASSIFICAR A CONDUTA PARA O ART. 302, CAPUT, DO CTB. ALEGAÇÃO DE QUE A MATÉRIA JÁ TERIA SIDO DEBATIDA ANTERIORMENTE EM SEDE DE HABEAS CORPUS. WRIT ANTERIOR NÃO CONHECIDO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS TESES DEFENSIVAS. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À SÚMULA N. 7/STJ. AUSÊNCIA DE INCURSÃO EM ELEMENTOS DE FATOS E PROVAS. REVALORAÇÃO JURÍDICA DO QUADRO FÁTICO DELINEADO NO ACÓRDÃO DE ORIGEM. POSSIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO.

1. Inicialmente, destaca-se que a tese defensiva não foi debatida em sede de habeas corpus impetrado anteriormente pela defesa, de modo que o trecho da decisão que afirmou não ser possível o revolvimento de fatos e provas em sede de habeas corpus não analisou detidamente as teses defensivas. Sabe-se que a cognoscibilidade do habeas corpus é diferente da cognoscibilidade do recurso especial, de modo que, em análise mais detida dos fundamentos apontados pela defesa no recurso especial foi possível constatar a ocorrência de flagrante ilegalidade que ensejou a concessão do habeas corpus de ofício.

2. No mais, a decisão monocrática deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.

3. Sabe-se que a avaliação do acervo probatório deve ser orientada pelo princípio do favor rei. Ou seja, remanescendo dúvida sobre a responsabilidade penal do acusado, imperiosa será a sua absolvição, visto que sobre a acusação recai o inafastável ônus de provar o que fora veiculado na denúncia.

4. A Corte de origem, ao entender pela condenação do réu pelo crime do art. 302, § 3º, do CTB, não apontou elementos concretos suficientes que demonstrassem que de fato o réu teria ingerido bebidas alcoólicas antes do acidente de quadriciclo que causou a morte da vítima. Assim, constata a ocorrência de flagrante ilegalidade, de rigor a concessão de habeas corpus de ofício.

5. ""É possível a esta Corte Superior verificar se a fundamentação utilizada pelas instâncias ordinárias é juridicamente idônea e suficiente para dar suporte à condenação, o que não configura reexame de provas, pois a discussão é eminentemente jurídica e não fático-probatória." (AgRg no AREsp n. 1.847.375/GO, relatora Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 1º/6/2021, DJe 16/6/2021.)" (HC n. 691.344/MG, minha relatoria, Sexta Turma, julgado em 8/2/2022, DJe de 15/2/2022).

6. Agravo regimental desprovido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator.

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