TSTAg-RR 20399-34.2021.5.04.0016
Schirlei sena alves: responsabilidade subsidiária
- Direito Civil
- Direito do Trabalho
- Direito Administrativo
- Schirlei sena alves
- Responsabilidade subsidiária
- Ente da administração pública
- Ciência de irregularidades praticadas pela empresa
- Culpa "in vigilando" comprovada
- Indenização por dano moral
Ementa
I – AGRAVO EM RECURSO DE REVISTA DA RECLAMANTE – SCHIRLEI SENA ALVES. ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA. ENTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CIÊNCIA DE IRREGULARIDADES PRATICADAS PELA EMPRESA. CULPA "IN VIGILANDO" COMPROVADA. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. 1. Em interpretação sistemática dos arts. 58, III, 67 e 71 da Lei nº 8.666/1993, é possível inferir a responsabilidade subjetiva e subsidiária do ente da Administração Pública Direta ou Indireta, quando caracterizadas ação ou omissão culposa na fiscalização e a ausência de adoção de medidas preventivas ou sancionatórias ao inadimplemento de obrigações trabalhistas por parte de empresas prestadoras de serviços contratadas. 2. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 760.931/DF (Tema 246 da Repercussão Geral), fixou tese acerca da impossibilidade de responsabilização subsidiária automática da Administração Pública, salvo quando demonstrada sua conduta omissiva ou comissiva. 3. Na hipótese em exame, do quadro fático consignado no acórdão regional (Súmula 126/TST), depreende-se que restou demonstrada a conduta culposa da Administração Pública, decorrentes da sua ciência acerca das práticas irregulares da empresa contratada , o que, na visão do Supremo Tribunal Federal, impõe sua responsabilização subsidiária pelas parcelas devidas ao trabalhador. Agravo conhecido e provido para não conhecer parcialmente do recurso de revista do segundo reclamado, no aspecto, e determinar que se prossiga no exame do recurso de revista, em relação ao tema admitido pelo Regional. II – RECURSO DE REVISTA DO SEGUNDO RECLAMADO – MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INADIMPLEMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS TEMA 143 DA TABELA DE RECURSOS DE REVISTA REPETITIVOS. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. 1. No julgamento do Tema 143 da Tabela de Recursos de Revista Repetitivos, o Tribunal Pleno desta Corte fixou tese jurídica no sentido de que "a ausência ou o atraso na quitação das verbas rescisórias, por si só, não configura dano moral indenizável, sendo necessária a comprovação de lesão concreta aos direitos de personalidade do trabalhador". 2. No caso dos autos, contudo, não é possível extrair, do acórdão regional, qualquer elemento fático capaz de comprovar o abalo sofrido pela reclamante. Diferentemente disso, observa-se que a Corte de origem deferiu a condenação baseada tão somente em uma "presunção de dano moral indenizável", contrariando a jurisprudência uniforme deste Tribunal Superior. Recurso de revista conhecido e provido .
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, I - conhecer do agravo da reclamante e, no mérito, dar-lhe provimento para não conhecer parcialmente do recurso de revista do segundo reclamado e determinar que se prossiga no exame, em relação ao tema admitido pelo Regional e II - conhecer do recurso de revista do segundo reclamado, por violação do art. 5º, LIV, da CF, e, no mérito, dar-lhe provimento para excluir da condenação a indenização por dano moral.
Indexação
Indenização por Dano Moral; Ente Público; Abrangência da Condenação