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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 2.880.820

Tráfico de drogas e associação para o tráfico

Relator(a): Messod Azulay Neto

Ementa

Direito Penal. Agravo Regimental. Tráfico de drogas e associação para o tráfico. Reexame de provas. Súmulas 7, 83 e 182 do STJ. Agravo regimental não provido.

I. Caso em exame

1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, em razão da incidência das Súmulas 7 e 83, STJ.

2. O agravante CLEBER foi condenado pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e posse irregular de arma de fogo, enquanto o agravante ISMAEL foi condenado por tráfico de drogas, associação para o tráfico e pela majorante do art. 40, inciso VI, da Lei n. 11.343/2006.

3. O Tribunal de origem reformou parcialmente a sentença, redimensionando as penas, mas mantendo o regime inicial fechado.

4. No recurso especial, os agravantes alegaram violação ao art. 386, inciso VII, do Código de Processo Penal, ao princípio da consunção e à aplicação da majorante do art. 40, inciso VI, da Lei n. 11.343/2006. O recurso foi inadmitido com base nas Súmulas n. 7 e 83, STJ.

5. No agravo regimental, a defesa argumenta que o recurso especial atende aos requisitos de admissibilidade e que não há necessidade de reexame de provas.

II. Questão em discussão

6. Há duas questões em discussão: (i) saber se o agravo em recurso especial poderia ser conhecido, considerando a alegação de ausência de necessidade de reexame de provas; e (ii) saber se os fundamentos da decisão recorrida foram adequadamente impugnados, à luz do princípio da dialeticidade recursal.

III. Razões de decidir

7. A aplicação da Súmula n. 182, STJ foi correta, pois os agravantes não impugnaram de forma específica os fundamentos da decisão recorrida, limitando-se a reproduzir os argumentos do recurso especial inadmitido.

8. A análise das provas realizada pela instância de origem foi soberana e detalhada, concluindo pela configuração dos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, além da participação de menor na empreitada criminosa. Não há omissão ou negativa de prestação jurisdicional.

9. A pretensão de absolvição ou desclassificação dos crimes imputados aos agravantes demandaria o reexame de provas, o que é vedado em sede de recurso especial, conforme Súmula n. 7, STJ.

10. Quanto à aplicação da majorante do art. 40, inciso IV, da Lei n. 11.343/2006, a instância de origem concluiu pela inexistência de nexo finalístico entre o uso da arma e o tráfico de drogas, justificando a condenação em concurso material de crimes, em conformidade com a jurisprudência do STJ.

11. A incidência da Súmula n. 83, STJ foi adequada, considerando que a decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência consolidada.

IV. Dispositivo e tese

12. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido.

Tese de julgamento:

1. A ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida atrai a aplicação da Súmula 182 do STJ, impedindo o conhecimento do agravo.

2. O reexame de provas é vedado em sede de recurso especial, conforme Súmula 7 do STJ.

3. A majorante do art. 40, inciso IV, da Lei n. 11.343/2006 aplica-se apenas quando há nexo finalístico entre o uso da arma e o tráfico de drogas, sendo o crime de posse ou porte ilegal de arma considerado autônomo na ausência desse nexo.

Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 386, VII; Lei n. 11.343/2006, arts. 33, 35 e 40, IV e VI; Lei n. 10.826/2003, art. 12; Súmulas 7, 83 e 182 do STJ.

Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.994.424/RS, Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, j. 15.04.2025; STJ, AgRg no HC 1.003.872/SP, Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, j. 01.07.2025; STJ, REsp 2.048.655/RS, Min. Daniela Teixeira, rel. p/ acórdão Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, j. 11.03.2025.

Tese

1. A ausência de impugnação específica dos fundamentos da decisão recorrida atrai a aplicação da Súmula 182 do STJ, impedindo o conhecimento do agravo.

2. O reexame de provas é vedado em sede de recurso especial, conforme Súmula 7 do STJ.

3. A majorante do art. 40, inciso IV, da Lei n. 11.343/2006 aplica-se apenas quando há nexo finalístico entre o uso da arma e o tráfico de drogas, sendo o crime de posse ou porte ilegal de arma considerado autônomo na ausência desse nexo.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental.Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator.Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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