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Jurisprudências

TSTRR 11446-92.2019.5.18.0006

Responsabilidade civil do empregador: indenização por danos morais

Ementa

I – AGRAVO DA RECLAMANTE. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. TRANSCENDÊNCIA NÃO ANALISADA. RESPONSABILIDADE CIVIL DO EMPREGADOR. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ASSÉDIO MORAL NÃO COMPROVADO. PROVA DIVIDIDA. Pretensão recursal do autor de que a reclamada seja condenada a pagar indenização por danos morais, tendo em vista a alegação de ocorrência de assédio moral caracterizado pela cobrança excessiva de atingimento de metas e a obrigatoriedade de efetuar venda casada. O Tribunal Regional, soberano na análise e valoração da prova se convenceu de que, diante da prova dividida, os depoimentos das testemunhas da reclamante carecem de maior credibilidade, mantendo a sentença que indeferiu o pleito de indenização por danos morais, decidindo a controvérsia em desfavor da reclamante, que detinha o ônus probatório. Nesse contexto, em que ausente a prova da alegada conduta opressora, humilhante e imoral, para chegar a conclusão diversa, seria necessário revolver o contexto fático dos autos, procedimento vedado nesta esfera recursal, por óbice da Súmula 126 do TST. Não ficou demonstrado o desacerto da decisão monocrática que negou provimento ao agravo de instrumento. Agravo não provido. MULTA POR EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROCRASTINATÓRIOS. TRANSCENDÊNCIA NÃO ANALISADA. AGRAVO PROVIDO. Em melhor análise denota-se a necessidade de exame da transcendência da causa. Agravo provido para prosseguir na análise do agravo de instrumento. II - AGRAVO DE INSTRUMENTO DA RECLAMANTE EM RECURSO DE REVISTA SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. MULTA POR EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS IMPUTADA AO RECLAMANTE AUSÊNCIA DE INTUITO PROCRASTINATÓRIO. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA. No caso, o Tribunal Regional reconheceu a aplicação de multa por embargos de declaração protelatórios à reclamante sem a demonstração inequívoca do intuito procrastinatório. A autora utilizou-se dos embargos de declaração uma única vez, sem alegações desprovidas de razoabilidade e é parte diretamente interessada no desfecho da causa, o que configura a transcendência política, nos termos do art. 896-A, § 1º, II, da CLT. Ante a possível violação ao artigo 1.026, § 2º, do CPC, impõe-se o provimento do agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista. Agravo de instrumento provido. III - RECURSO DE REVISTA DA RECLAMANTE. SOB A ÉGIDE DA LEI 13.467/2017. PENALIDADE PROCESSUAL. MULTA PELA INTERPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. AUSÊNCIA DE INTUITO PROCRASTINATÓRIO. Em princípio, inscreve-se no exame discricionário do julgador a constatação de que o devedor da obrigação trabalhista interpôs embargos declaratórios com o intuito de postergar o pagamento de seu débito, quando ausente atenção às hipóteses dos artigos 897-A da CLT e 1.022 do CPC. Assim, não se reconhece, de pronto, violação do artigo 1.026, § 2º, do CPC, pelo simples fato de o juiz declarar a sua percepção de que houve interesse procrastinatório e aplicar a sanção processual correspondente, de maneira fundamentada. A afronta há de ser apurada caso a caso. Se por um lado conclui-se pelo intuito protelatório do devedor, ante a oposição de embargos fora das hipóteses legais, o mesmo não sucede em se tratando de embargos opostos pela autora. Embora qualquer das partes possa ser apenada por embargos de declaração opostos com o intuito de procrastinação, é inegável a impropriedade de se presumir a intenção de o credor de verba alimentar procrastinar o desfecho do feito. Assim, quanto a este último, o fato de não serem providos os embargos declaratórios, ou até mesmo a apontada pretensão de reforma do julgado embargado, não implica dizer, por tal motivo apenas, que houve intenção protelatória, a qual deverá estar cabalmente evidenciada. No caso concreto, ausente o intuito protelatório da reclamante, o qual se utilizou dos embargos de declaração uma única vez, sem alegações desprovidas de razoabilidade e é parte diretamente interessada no desfecho da causa, impende excluir a multa imposta com base no art. 1.026, § 2º, do CPC. Recurso de revista conhecido e provido.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade: I) negar provimento ao agravo quanto ao tema "indenização por danos morais"; II) dar provimento ao agravo para prosseguir no exame do agravo de instrumento quanto ao tema "multa por embargos de declaração protelatórios", para determinar o processamento do recurso de revista, por possível violação ao artigo 1.026, § 2º, do CPC; III) reconhecer a transcendência política e dar provimento ao agravo de instrumento quanto ao tema "multa por embargos de declaração protelatórios", para determinar o processamento do recurso de revista, por possível violação ao artigo 1.026, § 2º, do CPC; IV) conhecer do recurso de revista quanto ao tema "multa por embargos de declaração protelatórios", por violação ao artigo 1.026, § 2º, do CPC, e, no mérito, dar-lhe provimento para excluir da condenação a multa por embargos de declaração protelatórios cominada à reclamante pela Corte Regional. Mantido o valor da condenação e demais parâmetros de sucumbência;

Indexação

Comissão; Indenização por Dano Moral; Horas Extras; Repouso Semanal Remunerado e Feriado; Salário / Diferença Salarial; Assistência Judiciária Gratuita; Honorários Advocatícios; Comissionista; Negativa de Prestação Jurisdicional; Honorários Periciais; Multa por ED Protelatórios

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