TSTAg-AIRR 0000005-46.2025.5.06.0004
Preliminar suscitada pelo autor em contraminuta: observância do princípio da dialeticidade recursal
Relator(a): AMAURY RODRIGUES PINTO JUNIOR
- Processo Civil
- Direito do Trabalho
- Preliminar suscitada pelo autor em contraminuta
- Observância do princípio da dialeticidade recursal
- Rejeição
- Horas extras
- Sistemas de compensação
- Escalas (24x24, 24x48) não previstas em normas coletivas
Ementa
AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. PRELIMINAR SUSCITADA PELO AUTOR EM CONTRAMINUTA. OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. REJEIÇÃO. 1. Em contraminuta, o autor sustentou que a ré (agravante) não teria impugnado os fundamentos da decisão agravada nos termos em que proferida. 2. Contudo, reputa-se observado o princípio da dialeticidade recursal porquanto os argumentos veiculados no agravo interno foram suficientes para combater de forma direta e específica os óbices erigidos na decisão monocrática, especialmente quanto à incidência da Súmula n. 126 do TST. Preliminar rejeitada. HORAS EXTRAS. SISTEMAS DE COMPENSAÇÃO. ESCALAS (24X24, 24X48) NÃO PREVISTAS EM NORMAS COLETIVAS. ESCALA 24X72 INAPLICÁVEL PORQUANTO A UNIDADE EM QUE O AUTOR ATUAVA NÃO ERA DE DIFÍCIL ACESSO. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA N. 126 DO TST. AUSÊNCIA DE ADERÊNCIA ESTRITA À TESE FIXADA PELA SUPREMA CORTE NO JULGAMENTO DO TEMA 1046. TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. 1. Cinge-se a controvérsia em saber se deve ser mantida ou não a condenação da ré ao pagamento de horas extras, considerando suas alegações no sentido de que é válida a compensação decorrente da adoção das escalas de trabalho 24x24, 24x48 e 24x72. 2. O Tribunal Regional, soberano na análise e valoração das provas produzidas, expressamente apontou que “as jornadas 24x24 e 24x48 cumpridas pelo autor não possuem qualquer respaldo normativo”. Destacou, ainda, que, “embora a jornada 24x72 tenha previsão normativa, para os locais de difícil acesso, como o reclamante trabalhava em unidade não considerada como de difícil acesso (ETA CASTELO BRANCO), o mesmo não poderia se submeter à escala 24x72”. 3. A despeito da tese fixada pelo STF no julgamento do Tema 1046 da Tabela de Repercussão Geral, constata-se que não há aderência estrita da questão controvertida nestes autos. Isso porque o acórdão regional é claro no sentido de que as escalas cumpridas pelo autor não se amoldam àquelas previstas nos Acordos Coletivos de Trabalho, quer por ausência de previsão normativa (caso das escalas 24x24 e 24x48), quer porque a única escala (24x72) prevista em norma coletiva era dirigida aos trabalhadores que atuassem em unidades de difícil acesso, o que, conforme expressamente indicado pelo TRT, não era o caso do autor. 4. A aferição das teses contrárias defendidas pela ré encontra óbice na impossibilidade do reexame de fatos e provas nesta instância extraordinária, nos termos da Súmula n. 126 do TST. Agravo a que se nega provimento. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 1.021, § 4º, DO CPC. PEDIDO FORMULADO EM CONTRAMINUTA. REJEIÇÃO. 1. No que se refere à aplicação de penalidade processual prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC, pedido formulado pelo autor em contraminuta, impende considerar que a hipótese não é de agravo manifestamente improcedente ou interposto com vistas à protelação do feito. 2. Ao revés, ainda que não tenha sido provido o apelo, verifica-se que a agravante apenas exerceu regularmente seu direito ao contraditório e à ampla defesa, constitucionalmente assegurados (artigo 5º, LV, da Constituição Federal). Aplicação de multa rejeitada.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, conhecer do agravo e, no mérito, negar-lhe provimento. Também, por unanimidade, rejeitar o pedido de aplicação de multa formulado pelo autor em contraminuta. Brasília, 31 de agosto de 2026. AMAURY RODRIGUES Ministro Relator