Ementa
DIREITO PRIVADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PAULIANA E FRAUDE CONTRA CREDORES. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que rejeitou agravo interno, em razão da incidência da Súmula n. 7 do STJ por necessidade de reexame de provas para aferir a scientia fraudis e do consequente prejuízo ao dissídio por ausência de similitude fática aferível de plano.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste em saber se houve omissão quanto ao enfrentamento da tese de revaloração jurídica dos fatos delineados no acórdão recorrido, distinta do reexame de provas, para afastar a incidência da Súmula n. 7 do STJ, com efeitos infringentes.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material existentes no julgado.
4. Não se constata omissão, pois o acórdão embargado enfrentou a tese de revaloração jurídica e concluiu que a pretensão recursal demanda reavaliação de fatos e provas para reconhecer a scientia fraudis e afastar a boa-fé do terceiro, o que atrai a incidência da Súmula n. 7 do STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
5. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não há omissão quando o acórdão embargado analisa devidamente a tese de revaloração jurídica dos fatos e afirma a necessidade de reexame do conjunto probatório, aplicando a Súmula n. 7 do STJ."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 1.026 § 2º, 489 § 1º, IV, VI; CC, arts. 159, 182, 264, 942.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula n. 7; STJ, AgInt no AREsp n. 2.088.072/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 20/11/2023; STJ, AgInt no AgInt no AREsp n. 1.009.655/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 15/6/2020; STJ, AgInt no AREsp n. 2.838.674/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 23/6/2025.
Tese
"1. Não há omissão quando o acórdão embargado analisa devidamente a tese de revaloração jurídica dos fatos e afirma a necessidade de reexame do conjunto probatório, aplicando a Súmula n. 7 do STJ."
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/05/2026 a 25/05/2026, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.