STJEDcl no REsp 2.204.170
Leilão extrajudicial: alegações de omissão e contradição
Relator(a): João Otávio de Noronha
- Direito Civil
- Processo Civil
- Leilão extrajudicial
- Alegações de omissão e contradição
- Prequestionamento
- Óbices configurados
- Inexistência de vícios
Ementa
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. LEILÃO EXTRAJUDICIAL. ART. 63 DA LEI N. 4.591/1964. ALEGAÇÕES DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 211 DO STJ E 282 E 283 DO STF. ÓBICES CONFIGURADOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que não conheceu do recurso especial, em razão da aplicação das Súmulas n. 211 do STJ e 282 e 283 do STF, diante da ausência de prequestionamento e da subsistência de fundamento autônomo não impugnado de modo específico.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há três questões em discussão: (i) saber se há vício na análise da validade do procedimento de leilão extrajudicial previsto no art. 63, caput, da Lei n. 4.591/1964; (ii) saber se há contradição quanto à inexistência de saldo a restituir em razão de adjudicação por valor inferior à mora, nos termos do art. 63, § 4º, da Lei n. 4.591/1964; e (iii) saber se há contradição quanto à ciência inequívoca do adquirente acerca da constituição em mora e da realização dos leilões.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material existentes no julgado.
4. Não se constata omissão, pois o acórdão embargado explicitou a impossibilidade de exame do art. 63, caput e §§, da Lei n. 4.591/1964 pela ausência de prequestionamento, aplicando as Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF.
5. Inexiste contradição quanto à validade do leilão e ao saldo a restituir, porque o julgado indicou, de forma coerente, os óbices processuais que impediram a análise de mérito, sem antagonismo entre fundamentos e conclusão.
6. Não há contradição sobre a ciência do adquirente, uma vez que a matéria foi inserida no contexto da inviabilidade de exame do regime jurídico do art. 63 da Lei n. 4.591/1964 por ausência de prequestionamento, somada à incidência da Súmula n. 283 do STF, não se prestando os embargos à rediscussão do mérito.
7. É incabível a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC, por ausência de intuito protelatório na oposição dos embargos.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não há omissão quando o acórdão embargado aponta, de modo claro, a ausência de prequestionamento e aplica as Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF. 2. Inexiste contradição quando o julgado explicita a incidência de óbices processuais, inclusive a Súmula n. 283 do STF, que impedem o conhecimento do recurso especial. 3. Não cabe multa do art. 1.026, § 2º, do CPC sem demonstração de intuito protelatório."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022 e 1.026, § 2º; Lei n. 4.591/1964, art. 63, caput e §§ 1º e 4º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 2.157.279/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgados em 14/11/2023; STJ, Súmula n. 211; STF, Súmulas n. 282 e 283.
Tese
"1. Não há omissão quando o acórdão embargado aponta, de modo claro, a ausência de prequestionamento e aplica as Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF. 2. Inexiste contradição quando o julgado explicita a incidência de óbices processuais, inclusive a Súmula n. 283 do STF, que impedem o conhecimento do recurso especial. 3. Não cabe multa do art. 1.026, § 2º, do CPC sem demonstração de intuito protelatório."
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/08/2026 a 31/08/2026, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.