STJEDcl no AREsp 3.049.644
Omissão
Relator(a): João Otávio de Noronha
- Processo Civil
- Direito Civil
- Omissão
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que negou provimento ao agravo em recurso especial, em razão da incidência da Súmula n. 7 do STJ.
2. A controvérsia diz respeito à ação de cobrança cumulada com indenizatória, em que a parte autora pleiteou a devolução do saldo remanescente de R$ 20.600,00 retido indevidamente pela franqueada, além da responsabilização solidária da franqueadora no âmbito da cadeia de consumo. O valor da causa foi fixado em R$ 48.731,96.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em saber se o acórdão embargado foi omisso ao não apreciar, de forma específica, a distinção entre reexame de provas e reenquadramento jurídico e se é cabível a aplicação da multa do art. 1.026, § 2º, do CPC.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material existentes no julgado.
5. Não há omissão quando o acórdão embargado enfrenta a tese e afirma a necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório (Súmula n. 7 do STJ), por envolver nexo causal, vinculação do dano à atividade franqueada e inserção na cadeia de consumo.
6. É incabível que a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC se ausente intuito protelatório, pois a simples oposição de embargos não autoriza penalidade.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Rejeitam-se os embargos declaratórios quando, no acórdão embargado, não há nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC . 2. Inexiste hipótese para multa do art. 1.026, § 2º, do CPC na oposição de embargos desprovida de intuito protelatório".
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 1.026, § 2º; CDC, art. 14; Lei n. 13.966/2019, art. 2º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula n. 7; STJ, EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgados em 25/8/2020; STJ, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 2.157.279/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgados em 14/11/2023.
Tese
"1. Rejeitam-se os embargos declaratórios quando, no acórdão embargado, não há nenhum dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC . 2. Inexiste hipótese para multa do art. 1.026, § 2º, do CPC na oposição de embargos desprovida de intuito protelatório".
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 05/05/2026 a 11/05/2026, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.