STFAP 2.670 rito
Decisão: Em continuidade de julgamento, realizaram suas sustentações orais: o Dr
Relator(a): Cristiano Zanin
- Leandro Raca, pelo réu João Bosco da Costa
- O Dr
- Daniel Guerreiro Bonfim, pelo réu João Batista de Magalhães
- Nagip Queiroz Moreira Lima Neto, pelo réu Antônio José Silva Rocha
- A Dra
- E a Dra
Ementa
Decisão: Em continuidade de julgamento, realizaram suas sustentações orais: o Dr. Leandro Raca, pelo réu João Bosco da Costa; o Dr. Daniel Guerreiro Bonfim, pelo réu João Batista de Magalhães; o Dr. Nagip Queiroz Moreira Lima Neto, pelo réu Antônio José Silva Rocha; a Dra. Gabriella de Jesus Pinheiro Soares (por videoconferência), pelos réus Abraão Nunes Martins Neto e Adones Gomes Martins; e a Dra. Danyelle da Silva Galvão, pelo réu Thalles Andrade Costa. Em seguida, o julgamento foi suspenso. Presidência do Ministro Flávio Dino. Primeira Turma, 10.03.2026.
Decisão: Após os votos dos Ministros Cristiano Zanin, Relator, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino, Presidente, que julgavam parcialmente procedente a pretensão punitiva deduzida na denúncia, nos termos dos votos proferidos, a Primeira Turma, por unanimidade, rejeitou as seguintes questões preliminares: a) alegação de usurpação de competência do Supremo Tribunal Federal; b) alegação de nulidade por cerceamento de defesa; c) alegação de ofensa à cadeia de custódia. No mérito, por unanimidade, julgou parcialmente procedente a pretensão punitiva contida na denúncia da Ação Penal n. 2.670, para: a) Condenar os réus Josimar Cunha Rodrigues, Gildenemir de Lima Sousa, João Bosco da Costa, João Batista Magalhães, Antônio José Silva Rocha, Adones Gomes Martins e Abraão Nunes Martins Neto pela prática do crime de corrupção passiva, na forma dos arts. 317, caput, e 29, ambos do Código Penal. b)Absolver o réu Josimar Cunha Rodrigues quanto à imputação de pertencimento a organização criminosa, agravada pelo exercício de comando e majorado pela participação de funcionário público (art. 2º, §3º e §4º, II, da Lei n. 12.850/2013), na forma do art. 386, VII, do CPP; c)absolver os réus Gildenemir de Lima Sousa, João Bosco da Costa, João Batista Magalhães e Thalles Andrade Costa quanto ao crime de pertencimento a organização criminosa, majorado pela participação de funcionário público (art. 2º, §4º, II, da Lei n. 12.850/2013), na forma do art. 386, VII, do CPP. Após, a Turma deliberou sobre a dosimetria da pena. O Ministro Relator apresentou voto, e os demais Ministros debateram a pena de cada réu. Finalizada a construção da fase de dosimetria, proclamou-se o resultado do julgamento da Ação Penal n. 2.670, com as seguintes penas estabelecidas; a) Josimar Cunha Rodrigues pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 06 (seis) anos e 05 (cinco) meses de reclusão e ao pagamento de 300 (trezentos) dias-multa, no valor de três salários-mínimos o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; b) Gildenemir de Lima Sousa pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos e 06 (seis) meses de reclusão e ao pagamento de 100 (cem) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; c) João Bosco da Costa pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 100 (cem) dias-multa, no valor de três salários-mínimos o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; d) João Batista Magalhães pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 30 (trinta) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; e) Antônio José Silva Rocha, pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 30 (trinta) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto;f) Abraão Nunes Martins Neto pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 30 (trinta) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; g) Adones Gomes Martins pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 30 (trinta) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto. Quanto aos danos morais coletivos, a Turma, nos termos do voto do Relator, fixou como valor indenizatório a quantia de RS 1.667.750,00 (um milhão, seiscentos e sessenta e sete mil, setecentos e cinquenta reais), com correção monetária a contar do dia da proclamação do resultado do julgamento colegiado, incidindo juros de mora legais a partir do trânsito em julgado deste acórdão, a ser pago de forma solidária entre os acusados. A Turma procedeu à aplicação do art. 92, I, a e b, do Código Penal, e, tendo em vista o montante de pena privativa de liberdade determinado e o regime de cumprimento de pena inicial fixado (semiaberto), decidiu pela perda dos cargos públicos de Josimar Cunha Rodrigues, Gildenemir de Lima Sousa e João Bosco da Costa. Na hipótese de outros acusados exercerem cargo, função pública ou mandato eletivo, procedeu também à perda correspondente, conforme fundamentação já exposta, ressalvando que a deliberação definitiva sobre a perda ou manutenção do cargo, função ou mandato eletivo competirá à Câmara dos Deputados, consoante previsão do art. 55, IV e VI, c/c §2º, da Constituição Federal. A Turma determinou que: (a) após o trânsito em julgado, lancem-se os nomes dos réus no rol dos culpados, apesar das ressalvas do Relator quanto à revogação do art. 393, do CPP; (b) Expeçam-se guias de execução definitiva; (c) imediatamente, oficie-se ao Tribunal Superior Eleitoral, nos termos do art. 1º, I, e, da Lei Complementar n. 64/90; para aplicação da inelegibilidade pelo prazo de 8 (oito) anos; e (d) nos termos do art. 15, III, da Constituição Federal, os réus estarão suspensos dos seus direitos políticos, enquanto durarem os efeitos da condenação criminal transitada em julgado. Por fim, o Plenário condenou os réus ora condenados ao pagamento das custas processuais, na forma do art. 804 do Código de Processo Penal; tudo nos termos do voto do Relator. Presidência do Ministro Flávio Dino. Primeira Turma, 17.03.2026.
Ementa: DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AÇÃO PENAL. CORRUPÇÃO PASSIVA E ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. TESES DE VIOLAÇÃO ÀS REGRAS DE COMPETÊNCIAS, NULIDADES POR CERCEAMENTO DE DEFESA E OFENSA À CADEIA DE CUSTÓDIA AFASTADAS. DEMONSTRAÇÃO INEQUÍVOCA DA MATERIALIDADE E DA AUTORIA DOS RÉUS QUANTO AO CRIME DE CORRUPÇÃO PASSIVA. INEXISTÊNCIA DE PROVAS SUFICIENTES PARA A DECRETAÇÃO DE UM JUÍZO CONDENATÓRIO QUANTO AO CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. AÇÃO PENAL PARCIALMENTE PROCEDENTE.
I – As alegações de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal, de nulidade por cerceamento de defesa e de ofensa à cadeia de custódia devem ser rejeitadas, com assento nos mesmos fundamentos já externados pela Primeira Turma no instante em que recebida a denúncia em desfavor dos réus.
II – Encontram-se presentes robustos elementos probatórios que comprovam a autoria e a materialidade quanto à prática do crime de corrupção passiva. A solicitação de pagamento de vantagem indevida vinculou-se à apresentação de emendas parlamentares, impondo-se a condenação dos réus.
III – Encontram-se ausentes elementos probatórios suficientes e amplamente comprovados de materialidade e autoria no que se refere à prática do crime de organização criminosa, impondo-se a absolvição dos réus.
IV – Ação penal julgada parcialmente procedente, para condenar os réus Josimar Cunha Rodrigues, Gildenemir de Lima Sousa, João Bosco da Costa, João Batista Magalhães, Antônio José Silva Rocha, Adones Gomes Martins e Abraão Nunes Martins Neto pela prática do crime de corrupção passiva, na forma dos arts. 317, caput, e 29, ambos do Código Penal, bem como para absolver o réu Josimar Cunha Rodrigues quanto à imputação de pertencimento a organização criminosa, agravada pelo exercício de comando e majorado pela participação de funcionário público (art. 2º, §3º e §4º, II, da Lei n. 12.850/2013), na forma do art. 386, VII, do CPP, e absolver os réus Gildenemir de Lima Sousa, João Bosco da Costa, João Batista Magalhães e Thalles Andrade Costa quanto à imputação de pertencimento a organização criminosa, majorado pela participação de funcionário público (art. 2º, §4º, II, da Lei n. 12.850/2013), igualmente na forma do art. 386, VII, do CPP.
V – Penas finais dos réus que se estabelecem da seguinte maneira: a) Josimar Cunha Rodrigues pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 06 (seis) anos e 05 (cinco) meses de reclusão e ao pagamento de 300 (trezentos) dias-multa, no valor de três salários-mínimos o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; b) Gildenemir de Lima Sousa pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos e 06 (seis) meses de reclusão e ao pagamento de 100 (cem) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; c) João Bosco da Costa pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 100 (cem) dias-multa, no valor de três salários-mínimos o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; d) João Batista Magalhães pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 30 (trinta) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; e) Antônio José Silva Rocha, pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 30 (trinta) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; f) Abraão Nunes Martins Neto pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 30 (trinta) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto; g) Adones Gomes Martins pelo crime de corrupção passiva à pena privativa de liberdade fixada em 05 (cinco) anos de reclusão e ao pagamento de 30 (trinta) dias-multa, no valor de um salário-mínimo o dia-multa, cujo regime inicial será o semiaberto.
VI – Condenação ao pagamento de indenização mínima (Art. 387, IV, do Código de Processo Penal) a título de ressarcimento dos danos morais coletivos, no valor de R$ 1.667.750,00 (um milhão, seiscentos e sessenta e sete mil, setecentos e cinquenta reais), com correção monetária a contar do dia da proclamação do resultado do julgamento colegiado, incidindo juros de mora legais a partir do trânsito em julgado do acórdão, a ser pago de forma solidária entre os réus.
VII – Tendo em vista a aplicação do art. 92, I, a e b, do Código Penal, o montante de pena privativa de liberdade determinado e o regime de cumprimento de pena inicial fixado (semiaberto), a deliberação definitiva sobre a perda ou manutenção do cargo, função ou mandato eletivo competirá à Câmara dos Deputados, consoante previsão do art. 55, IV e VI, c/c §2º, da Constituição Federal.
VIII – Aplicação do art. 1º, I, e, da Lei Complementar n. 64/90, com a devida comunicação ao Tribunal Superior Eleitoral para aplicação da inelegibilidade pelo prazo de 8 (oito) anos. Providências finais igualmente determinadas.
Decisão
Após a leitura do relatório pelo Ministro Cristiano Zanin, Relator, realizaram suas sustentações orais: o Dr. Paulo Vasconcelos Jacobina, Subprocurador-Geral da República, pelo Ministério Público Federal; o Dr. Felipe Fernandes de Carvalho, pelo réu Josimar Cunha Rodrigues; e o Dr. Maurício de Oliveira Campos Júnior, pelo réu Gildenemir de Lima Sousa. Em seguida, o julgamento foi suspenso. Presidência do Ministro Flávio Dino. Primeira Turma, 10.03.2026.