STJEDcl no AREsp 2.142.464
Arrendamento mercantil: prescrição e compensação
Relator(a): João Otávio de Noronha
- Arrendamento mercantil
- Prescrição e compensação
- Dissídio jurisprudencial
- Ausência de cotejo analítico
Ementa
DIREITO PRIVADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ARRENDAMENTO MERCANTIL. VRG. PRESCRIÇÃO E COMPENSAÇÃO. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. SÚMULA N. 7 DO STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento, em razão do enfrentamento da negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022 do CPC), da incidência da Súmula n. 7 do STJ como óbice ao reexame fático-probatório e do não conhecimento do dissídio por ausência de cotejo analítico (art. 1.029, § 1º, do CPC e art. 255, § 1º, do RISTJ).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há três questões em discussão: (i) saber se houve omissão quanto à impugnação específica da incidência da Súmula n. 7 do STJ; (ii) saber se houve omissão quanto à análise do dissídio jurisprudencial pela alínea c; e (iii) saber se há contradição em relação a precedentes recentes sobre a prescrição das contraprestações vencidas e não pagas em contratos de arrendamento mercantil.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material existentes no julgado.
4. Não se verifica omissão quanto ao óbice da Súmula n. 7 do STJ, pois o acórdão embargado fundamentou a inviabilidade de reexame da matéria fático-probatória e assentou expressamente a aplicação do enunciado.
5. Inexiste omissão quanto ao dissídio jurisprudencial, uma vez que a decisão embargada registrou a ausência de cotejo analítico exigido pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, §1º, do RISTJ, prejudicando o conhecimento pela alínea c.
6. Não há contradição interna, porque o voto apresenta coerência entre fundamentos e conclusão, sendo a discordância quanto à orientação sobre prescrição questão de mérito não sanável por embargos de declaração.
7. Descabe a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC, ante a ausência de intuito protelatório na oposição dos embargos.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não há omissão quando o acórdão embargado enfrenta a aplicação da Súmula n. 7 do STJ e explicita a vedação ao reexame fático-probatório. 2. Não cabem embargos de declaração quando o acórdão embargado analisa devidamente a demonstração do dissídio pela alínea c e identifica a ausência de cotejo analítico.
3. Inexiste contradição quando a decisão mantém coerência entre fundamentos e conclusão, não se confundindo inconformismo com vício integrativo. 4. Não se aplica a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC se não evidenciado propósito protelatório".
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 1.026, § 2º, e 1.029, § 1º; CC, art. 206, § 5º, I; RISTJ, art. 255, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgInt no AREsp n. 893.555/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgados em 21/8/2018; STJ, EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgados em 25/8/2020; STJ, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 2.157.279/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgados em 14/11/2023; STJ, Súmula n. 7.
Tese
"1. Não há omissão quando o acórdão embargado enfrenta a aplicação da Súmula n. 7 do STJ e explicita a vedação ao reexame fático-probatório. 2. Não cabem embargos de declaração quando o acórdão embargado analisa devidamente a demonstração do dissídio pela alínea c e identifica a ausência de cotejo analítico.
3. Inexiste contradição quando a decisão mantém coerência entre fundamentos e conclusão, não se confundindo inconformismo com vício integrativo. 4. Não se aplica a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC se não evidenciado propósito protelatório".
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/08/2026 a 12/08/2026, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.