STJAgRg no AREsp 3.180.982
Requisitos de demonstração de dissídio e de afastamento da súmula 7/STJ
Relator(a): Messod Azulay Neto
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. REQUISITOS DE DEMONSTRAÇÃO DE DISSÍDIO E DE AFASTAMENTO DA SÚMULA 7/STJ. RECURSO NÃO PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, com fundamento na Súmula 182/STJ, por ausência de impugnação específica aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial.
2. Fato relevante. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial, entre outros fundamentos, pela incidência da Súmula 7/STJ e pela inexistência de comprovação de dissídio jurisprudencial, exigindo cotejo analítico idôneo; no agravo em recurso especial, o agravante limitou-se à reiteração de teses meritórias, sem infirmar de forma específica e suficiente os óbices apontados.
3. As decisões anteriores. A decisão de admissibilidade do recurso especial registrou deficiência na demonstração do dissídio, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, § 1º, do RISTJ; a decisão ora agravada não conheceu do agravo em recurso especial por ofensa ao princípio da dialeticidade recursal, aplicando, por analogia, a Súmula 182/STJ.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há três questões em discussão: (i) saber se o agravante impugnou de modo específico e pormenorizado os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, afastando a incidência da Súmula 182/STJ; (ii) saber se houve impugnação adequada ao óbice da Súmula 7/STJ, mediante demonstração de que a controvérsia jurídica pode ser resolvida com base nas premissas fáticas fixadas pelas instâncias ordinárias, sem revolvimento probatório; e (iii) saber se foi devidamente comprovado o dissídio jurisprudencial, com cotejo analítico idôneo, nos moldes do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, § 1º, do RISTJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. O agravante não apresentou novos argumentos aptos a modificar o entendimento anteriormente firmado, impondo-se a manutenção da decisão combatida por seus próprios fundamentos.
5. Incumbe ao recorrente impugnar, de forma específica e pormenorizada, os fundamentos da decisão recorrida (CPC/2015, art. 932, III; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I); a repetição das teses de mérito não supre o princípio da dialeticidade recursal, atraindo, por simetria, a aplicação da Súmula 182/STJ.
6. Para afastar a incidência da Súmula 7/STJ, não basta alegação genérica de tratar-se de questão jurídica; é imprescindível demonstrar que a solução pode ocorrer com base nas premissas fáticas já fixadas, sem reexame do conjunto probatório, o que não foi evidenciado.
7. Não houve comprovação do dissídio jurisprudencial, por ausência de cotejo analítico com indicação das circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados e de prova idônea do dissenso, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, § 1º, do RISTJ.
8. A decisão monocrática do relator não afronta o princípio da colegialidade, ante a possibilidade de submissão ao órgão colegiado mediante agravo interno, conforme jurisprudência da Corte.
IV. DISPOSITIVO
6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido, mantendo-se o não conhecimento do agravo em recurso especial pela incidência da Súmula 182/STJ.
Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, art. 932, III; CPC/2015, art. 1.029, § 1º; CPC/2015, art. 1.021, § 1º; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I; RISTJ, art. 255, § 1º; Súmula 182/STJ; Súmula 7/STJ
Jurisprudência relevante citada:STJ, AgInt no AREsp 2.685.260/SP, Terceira Turma, j. 28.10.2024, DJe 04.11.2024
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.