STJAREsp 3.008.274
Posse injusta
Relator(a): Daniela Teixeira
- Processo Civil
- Direito Civil
- Posse injusta
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REIVINDICATÓRIA. POSSE INJUSTA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Acre, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c", da Constituição Federal.
2. A parte agravante alega violação aos arts. 560, 561 e 927 do CPC; 1.210, 96 a 103, e 1.219 do CC, requerendo a reforma do acórdão recorrido, que qualificou sua posse como "injusta" e negou o direito à indenização e retenção por benfeitorias, sob o argumento de que seria possuidora de "boa-fé".
3. A parte agravada sustenta a inexistência de elementos aptos a alterar o julgado impugnado.
II. Questão em discussão
4. A questão em discussão consiste em saber se o recurso especial pode ser conhecido para reexaminar o acervo fático-probatório e reformar a qualificação jurídica da posse e os direitos decorrentes dela, como indenização e retenção por benfeitorias.
III. Razões de decidir
5. O recurso especial não pode ser conhecido quando a análise da controvérsia exige o revolvimento do acervo fático-probatório, conforme entendimento consolidado na Súmula 7 do STJ, que veda o reexame de fatos e provas.
6. A função uniformizadora do recurso especial não abrange a revisão do contexto fático-probatório, sendo esta uma atribuição das instâncias ordinárias.
7. A jurisprudência do STJ é pacífica no sentido de que a revaloração jurídica de fatos incontroversos é admissível, mas cabe à parte recorrente demonstrar objetivamente que a análise fática estabilizada se enquadra em outra forma jurídica, o que não foi feito no caso.
8. No caso concreto, a discussão sobre a qualificação jurídica da posse, sua natureza "injusta" e os direitos à indenização e retenção por benfeitorias demanda a revisão do quadro fático-probatório, o que é inviável em sede de recurso especial.
IV. Dispositivo
9. Agravo conhecido para não conhecer do recurso especial.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/03/2026 a 30/03/2026, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.