STJAgInt no AREsp 2.849.929
Direito civil e processual civil
Relator(a): João Otávio de Noronha
Ementa
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA POR DANOS MORAIS DECORRENTES DE MATÉRIA JORNALÍSTICA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ E INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS ARTS. 1.022, II, E 10 DO CPC. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que negou provimento ao agravo em recurso especial por inexistência de violação aos arts. 1.022, II, e 10 do CPC; incidência da Súmula n. 7 do STJ quanto à legitimidade ativa e ao dano moral da pessoa jurídica; e ausência de cotejo analítico para o dissídio.
2. A controvérsia diz respeito a ação indenizatória por danos morais decorrentes de matéria jornalística.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou parcialmente procedente o pedido e condenou PATRÍCIA TOLEDO DE CAMPOS MELLO e EMPRESA FOLHA DA MANHÃ S.A. ao pagamento de R$ 100.000,00.
4. A Corte de origem reconheceu a ilegitimidade ativa de LUCIANO HANG e julgou improcedente o pedido de indenização formulado por HAVAN S.A.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há quatro questões em discussão: (i) saber se houve negativa de prestação jurisdicional e decisão surpresa por ofensa aos arts. 1.022, II, e 10 do CPC; (ii) saber se a legitimidade ativa deve ser aferida pela teoria da asserção, sem exame de mérito, nos termos dos arts. 17 e 485, VI, do CPC; (iii) saber se é indevida a exigência de dano material para caracterização de dano moral da pessoa jurídica, à luz dos arts. 52, 186, 187 e 927 do CC; e (iv) saber se há dissídio jurisprudencial demonstrado, especialmente com o REsp 60.033-2/MG.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não há negativa de prestação jurisdicional nem decisão surpresa: o Tribunal de origem examinou, de forma clara e fundamentada, as questões essenciais, afastando violação aos arts. 1.022, II, e 10 do CPC.
7. A revisão da conclusão sobre ilegitimidade ativa demanda reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado pelo recurso especial, incidindo a Súmula n. 7 do STJ.
8. O dano moral da pessoa jurídica não é presumido e exige prova de abalo à honra objetiva; a alteração do entendimento do Tribunal local esbarra na Súmula n. 7 do STJ.
9. O dissídio não pode ser conhecido por ausência de cotejo analítico e pela impossibilidade de aferir similitude fática diante do óbice da Súmula n. 7 do STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
10. Agravo interno desprovido.
Tese de julgamento: "1. Inexistente omissão ou decisão surpresa quando o acórdão enfrenta, de forma clara e fundamentada, as questões essenciais, afastando violação aos arts. 1.022, II, e 10 do CPC. 2. A impugnação da ilegitimidade ativa que exige revolvimento de fatos e provas é inviável em recurso especial, por força da Súmula n. 7 do STJ. 3. O dano moral da pessoa jurídica demanda demonstração de abalo à honra objetiva; rever a conclusão local encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ. 4. Sem cotejo analítico e similitude fática, não se conhece do dissídio, sobretudo diante da incidência da Súmula n. 7 do STJ."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 10, 17, 485; CC, arts. 52, 186, 187, 927.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula n. 7; STJ, AREsp n. 2.447.726/DF; STJ, AgInt no REsp n. 2.090.538/PR; STJ, AgInt no AREsp n. 2.726.432/RS; STJ, AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.624.182/SP.
Tese
"1. Inexistente omissão ou decisão surpresa quando o acórdão enfrenta, de forma clara e fundamentada, as questões essenciais, afastando violação aos arts. 1.022, II, e 10 do CPC. 2. A impugnação da ilegitimidade ativa que exige revolvimento de fatos e provas é inviável em recurso especial, por força da Súmula n. 7 do STJ. 3. O dano moral da pessoa jurídica demanda demonstração de abalo à honra objetiva; rever a conclusão local encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ. 4. Sem cotejo analítico e similitude fática, não se conhece do dissídio, sobretudo diante da incidência da Súmula n. 7 do STJ."
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/02/2026 a 09/02/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Licenciado o Sr. Ministro Marco Buzzi.