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Jurisprudências

STJEDcl no AREsp 2.964.960

Honorários sucumbenciais em cumprimento de sentença

Relator(a): João Otávio de Noronha

  • Processo Civil
  • Direito Civil
  • Honorários sucumbenciais em cumprimento de sentença
  • Base de cálculo
  • Coisa julgada
  • Negativa de prestação jurisdicional
  • Obscuridade e contradição
  • Multa do art. 1.026, § 2º, do CPC

Ementa

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS EM CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. BASE DE CÁLCULO. COISA JULGADA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. OBSCURIDADE E CONTRADIÇÃO. MULTA DO ART. 1.026, § 2º, DO CPC. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.

I. CASO EM EXAME

1. Embargos de declaração opostos a acórdão que conheceu do agravo para conhecer do recurso especial e dar-lhe provimento, determinando a observância do critério fixado no título judicial, em razão do afastamento de negativa de prestação jurisdicional e do reconhecimento de violação da coisa julgada pela substituição do proveito econômico pelo valor da causa.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há três questões em discussão: (i) saber se houve omissão e erro de premissa fática quanto à conclusão de substituição do critério do proveito econômico pelo valor da causa; (ii) saber se há contradição interna por suposta leitura isolada da ementa do acórdão regional; e (iii) saber se existe obscuridade sobre o uso da ementa como premissa do julgamento.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material existentes no julgado.

4. Não há omissão nem erro de premissa fática, pois o acórdão embargado examinou o critério da base de cálculo e concluiu pela indevida equiparação do proveito econômico ao valor da causa.

5. Inexiste contradição interna, mantendo-se a coerência entre os fundamentos e a conclusão sobre a violação da coisa julgada.

6. Não se constata obscuridade, porque a decisão embargada apresenta fundamentação clara e inteligível quanto à leitura conjugada dos acórdãos.

7. É incabível a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC, ausente intuito protelatório na oposição dos embargos.

IV. DISPOSITIVO E TESE

8. Embargos de declaração rejeitados.

Tese de julgamento: "1. Não há omissão quando o acórdão embargado enfrenta o critério da base de cálculo e conclui pela indevida equiparação do proveito econômico ao valor da causa. 2. Inexiste contradição interna quando há coerência lógica entre fundamentos e conclusão sobre a violação da coisa julgada. 3. Não se constata obscuridade quando a decisão apresenta fundamentação clara e inteligível acerca da leitura conjugada dos acórdãos. 4. A simples oposição de embargos de declaração não autoriza a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC sem demonstração de intuito protelatório".

Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022, 489 § 1º, IV, 502, 505 e 1.026, § 2º.

Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgados em 25/8/2020; STJ, EDcl no AgInt nos EAREsp n. 2.157.279/RS, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgados em 14/11/2023.

Tese

"1. Não há omissão quando o acórdão embargado enfrenta o critério da base de cálculo e conclui pela indevida equiparação do proveito econômico ao valor da causa. 2. Inexiste contradição interna quando há coerência lógica entre fundamentos e conclusão sobre a violação da coisa julgada. 3. Não se constata obscuridade quando a decisão apresenta fundamentação clara e inteligível acerca da leitura conjugada dos acórdãos. 4. A simples oposição de embargos de declaração não autoriza a multa do art. 1.026, § 2º, do CPC sem demonstração de intuito protelatório".

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/08/2026 a 24/08/2026, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.

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