STJAgInt no AREsp 2.453.042
Negativa de prestação jurisdicional: legitimidade passiva
Relator(a): João Otávio de Noronha
- Processo Civil
- Direito Civil
- Negativa de prestação jurisdicional
- Legitimidade passiva
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE TÍTULO C/C CANCELAMENTO DE PROTESTO E DANOS MORAIS. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 5, 7 E 83 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo interno contra decisão monocrática que negou provimento ao agravo em recurso especial por ausência de violação aos arts. 11, 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC, incidência da Súmula n. 7 do STJ quanto à legitimidade passiva e aplicação das Súmulas n. 5, 7 e 83 do STJ para afastar a rediscussão contratual e probatória.
2. A controvérsia decorre de ação declaratória de inexigibilidade de título cumulada com cancelamento de protesto e indenização por danos morais.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau declarou inexigíveis, em relação ao autor, as duplicatas protestadas; julgou improcedente a reconvenção contra o autor e procedente a reconvenção contra a agência, com condenação em R$ 37.000,00.
4. A Corte de origem deu provimento à apelação da fornecedora, para julgar improcedente a ação declaratória e procedente a reconvenção também contra o sacado, reconhecendo a licitude dos protestos e a exigibilidade dos títulos.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há cinco questões em discussão: (i) saber se houve negativa de prestação jurisdicional por violação aos arts. 11, 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC; (ii) saber se é possível a revaloração jurídica dos fatos já delineados, afastando a incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ; (iii) saber se é inaplicável a Súmula n. 83 do STJ; (iv) saber se são inaplicáveis o art. 3º da Lei n. 4.680/1965 e o art. 15 do Decreto n. 57.690/1966 por se tratar de serviços de iluminação; e (v) saber se há divergência jurisprudencial suficiente para superar os óbices apontados.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não há negativa de prestação jurisdicional quando o acórdão enfrenta de modo claro e suficiente os pontos essenciais, ainda que em sentido contrário à pretensão; a inconformidade não caracteriza vício decisório (arts. 11, 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC).
7. A revisão da legitimidade passiva e da responsabilidade demanda reexame do conjunto fático-probatório e de cláusulas contratuais, o que atrai os óbices das Súmulas n. 7 e n. 5 do STJ.
8. O acórdão recorrido está alinhado à orientação desta Corte quanto ao enquadramento do serviço como insumo de ação de propaganda, o que atrai a Súmula n. 83 do STJ.
9. A pretensão de afastar a aplicação do art. 3º da Lei n. 4.680/1965 e do art. 15 do Decreto n. 57.690/1966 exigiria revolvimento da moldura fática e contratual estabelecida, inviável em recurso especial (Súmulas n. 5 e 7 do STJ).
IV. DISPOSITIVO E TESE
10. Agravo interno desprovido.
Tese de julgamento : "1. Não há negativa de prestação jurisdicional quando o tribunal de origem enfrenta as teses de forma suficiente (CPC, arts. 11, 489, § 1º, IV, e 1.022). 2. É inviável, no recurso especial, o revolvimento de fatos e cláusulas contratuais para redefinir legitimidade e responsabilidade (Súmulas n. 5 e 7 do STJ).
3. Mantém-se o acórdão alinhado à jurisprudência desta Corte, incidindo a Súmula n. 83 do STJ."
Dispositivos relevantes citados : CPC, arts. 11, 489 § 1º IV, 1.022, 17; Lei n. 4.680/1965, art. 3; Decreto n. 57.690/1966, art. 15
Jurisprudência relevante citada : STJ, Súmulas n. 5, 7, 83; STJ, AgInt no REsp n. 1.781.470/RJ; STJ, AgInt no AREsp n. 2.135.804/SP; STJ, REsp n. 415.706/PR; STJ, AgInt no REsp n. 1.610.988/SP.
Tese
"1. Não há negativa de prestação jurisdicional quando o tribunal de origem enfrenta as teses de forma suficiente (CPC, arts. 11, 489, § 1º, IV, e 1.022). 2. É inviável, no recurso especial, o revolvimento de fatos e cláusulas contratuais para redefinir legitimidade e responsabilidade (Súmulas n. 5 e 7 do STJ).
3. Mantém-se o acórdão alinhado à jurisprudência desta Corte, incidindo a Súmula n. 83 do STJ."
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/02/2026 a 09/02/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Licenciado o Sr. Ministro Marco Buzzi.