STJAREsp 2.964.669
Execução de título extrajudicial: prescrição intercorrente e irretroatividade da lei n. 14.195/2021
Relator(a): João Otávio de Noronha
- Processo Civil
- Direito Civil
- Execução de título extrajudicial
- Prescrição intercorrente e irretroatividade da lei n. 14.195/2021
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Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE E IRRETROATIVIDADE DA LEI N. 14.195/2021. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial contra decisão que inadmitiu o recurso especial por aplicação da Súmula n. 7 do STJ, o que prejudicou o exame da divergência jurisprudencial.
2. A controvérsia diz respeito a agravo de instrumento contra decisão que, em execução de título extrajudicial, rejeitou a exceção de pré-executividade voltada ao reconhecimento da prescrição intercorrente.
3. A Corte de origem conheceu do agravo e negou-lhe provimento, mantendo a rejeição da prescrição intercorrente por inexistência de desídia do exequente, irretroatividade da Lei n. 14.195/2021 e alinhamento ao IAC n. 1.604.412/SC.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há quatro questões em discussão: (i) saber se o art. 921 do CPC impõe reconhecer a prescrição intercorrente após suspensão de um 1 e 5 anos sem constrição frutífera; (ii) saber se os arts. 1.046 e 1.056 do CPC fixam, em processo suspenso na entrada em vigor do CPC de 2015, o termo inicial da prescrição intercorrente 1 ano após 18/3/2016; (iii) saber se o art. 924, §§ 1º e 4º, do CPC determina iniciar a contagem da prescrição intercorrente após 1 ano sem localização de bens penhoráveis; e (iv) saber se há divergência jurisprudencial em relação ao IAC no REsp n. 1.604.412/SC e ao REsp n. 1.340.553/RS.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. Incide a Súmula n. 83 do STJ, pois o acórdão recorrido está conforme a orientação do Superior Tribunal de Justiça: na redação originária do art. 921 do CPC de 2015, a prescrição intercorrente exige desídia do exequente; a Lei n. 14.195/2021 é irretroativa e não alcança atos pretéritos.
6. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ, porque a revisão da conclusão quanto à inexistência de inércia do exequente demanda reexame do conjunto fático-probatório (suspensões, retomadas e diligências).
7. A incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ obsta o conhecimento do recurso pela alínea a e o exame do dissídio sobre o mesmo tema.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Agravo em recurso especial desprovido.
Tese de julgamento: "1. Incide a Súmula n. 83 do STJ quando o acórdão recorrido se encontra alinhado à jurisprudência sobre a irretroatividade da Lei n. 14.195/2021 e a exigência de desídia do exequente, conforme a redação originária do art. 921 do CPC de 2015.
2. A Súmula n. 7 do STJ afasta a pretensão que demanda reexame de fatos e provas sobre a inércia na execução. 3. A incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ no tocante à alínea a impede o conhecimento do recurso pela alínea c quanto ao mesmo tema".
Dispositivos relevantes citados: CF, arts. 105, III, e 5º, XXXVI; CPC, arts. 921, 924, §§ 1º e 4º, 1.046, 1.056, e 85, § 11, e 14.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 83 e 7; STJ, AREsp n. 2.854.422/PR, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 23/6/2025; STJ, AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.367.589/GO, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 14/4/2025; STJ, REsp n. 2.196.137/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 27/10/2025; STJ, AREsp n. 2.815.386/SC, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 20/10/2025.
Tese
"1. Incide a Súmula n. 83 do STJ quando o acórdão recorrido se encontra alinhado à jurisprudência sobre a irretroatividade da Lei n. 14.195/2021 e a exigência de desídia do exequente, conforme a redação originária do art. 921 do CPC de 2015.
2. A Súmula n. 7 do STJ afasta a pretensão que demanda reexame de fatos e provas sobre a inércia na execução. 3. A incidência das Súmulas n. 7 e 83 do STJ no tocante à alínea a impede o conhecimento do recurso pela alínea c quanto ao mesmo tema".
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/03/2026 a 09/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Antonio Carlos Ferreira.
Indexação
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